Manejo

Calor e pouca chuva pressionam lavouras de café em Minas Gerais

Temperaturas elevadas e chuvas irregulares aumentam o risco de estresse hídrico e podem comprometer o potencial produtivo do café mineiro.

22 de setembro de 2026 4 min de leitura
Calor e pouca chuva pressionam lavouras de café em Minas Gerais

O avanço das temperaturas e a redução das chuvas aumentam o risco de estresse hídrico nas lavouras de café de Minas Gerais. O cenário preocupa porque ocorre em uma fase decisiva para o desenvolvimento das plantas e pode afetar a produtividade, a qualidade dos grãos e o planejamento da próxima safra.

O que aconteceu

A combinação de calor intenso e precipitações abaixo do necessário reduz a disponibilidade de água no solo. Em áreas sem irrigação, as plantas podem apresentar murcha, queda de folhas, menor crescimento dos ramos e dificuldade para sustentar a formação dos frutos.

O impacto varia entre as regiões produtoras. Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Zona da Mata e outras áreas do estado enfrentam diferenças de solo, altitude, volume acumulado de chuva e capacidade de retenção de água. Por isso, o acompanhamento deve ser feito por talhão, e não apenas com base na previsão regional.

O período também exige atenção à florada e ao pegamento dos frutos. Chuvas mal distribuídas podem provocar floradas desuniformes. Já o calor excessivo aumenta a evapotranspiração, processo pelo qual a planta perde água para a atmosfera, acelerando o déficit hídrico.

Por que importa para o agro

Minas Gerais é o principal produtor de café do Brasil. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa para 2026 chegou a 33,4 milhões de sacas no estado, alta de 29,8% sobre o ciclo anterior. Esse potencial pode ser reduzido caso o clima adverso persista em momentos críticos do ciclo produtivo.

Para o produtor, o problema envolve mais do que volume. O estresse hídrico pode reduzir o tamanho dos grãos, aumentar a desuniformidade da maturação e elevar a necessidade de manejo. Em áreas irrigadas, a demanda por água cresce, pressionando custos de energia e operação. Na cadeia, uma oferta menor ou de qualidade irregular pode influenciar preços, contratos e disponibilidade para exportação.

Dados e contexto

A Conab estima que Minas Gerais responda por quase metade da produção brasileira de café em 2026. O órgão atribuiu a projeção inicial ao ciclo de bienalidade positiva e às condições favoráveis de chuva antes da floração, mas também ressalta que o resultado final depende do clima ao longo do desenvolvimento e da colheita.

  • Produção estimada em Minas Gerais: 33,4 milhões de sacas em 2026.
  • Crescimento previsto sobre a safra anterior: 29,8%.
  • Principal produto do estado: café arábica.
  • Riscos climáticos: calor excessivo, chuva irregular e déficit de água no solo.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicou variação importante na distribuição das chuvas entre as regiões cafeeiras. Sul de Minas e Serra da Mantiqueira podem receber volumes mais elevados em determinados períodos, enquanto áreas do Cerrado e da Chapada podem registrar acumulados menores e mais irregulares.

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar umidade do solo, previsão de chuva, temperatura máxima e condição das plantas em cada talhão. Em lavouras irrigadas, o manejo precisa considerar a demanda real da cultura e a disponibilidade hídrica. Cobertura do solo, controle de plantas daninhas e preservação da matéria orgânica ajudam a reduzir perdas de água. A atenção deve aumentar durante a florada, o pegamento e a formação dos grãos.

Fontes

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