Manejo

Calor excessivo ameaça produtividade do café na Zona da Mata de MG

Ondas de calor na Zona da Mata mineira aumentam o estresse térmico dos cafezais e podem reduzir produtividade e qualidade dos grãos.

05 de setembro de 2026 4 min de leitura
Calor excessivo ameaça produtividade do café na Zona da Mata de MG

Ondas de calor na Zona da Mata de Minas Gerais vêm elevando o estresse térmico dos cafezais e trazendo preocupação com a safra. Com temperaturas muitas vezes acima de 30 °C, produtores e técnicos relatam queda no pegamento de frutos, grãos mais leves e risco de redução da produtividade em áreas tradicionais de café arábica.

O que aconteceu

Produtores da Zona da Mata relatam sequência de dias muito quentes em fases sensíveis da cultura, como frutificação e enchimento dos grãos. Nessas condições, o cafeeiro passa a gastar mais energia na respiração, perde água com rapidez e reduz a fotossíntese, o que limita o crescimento e o peso dos grãos.

Consultores e cooperativas da região chamam atenção para lavouras mais expostas, em baixadas quentes e áreas sem sombreamento, onde o estresse é mais intenso. Em talhões com plantas mais velhas, o problema se agrava, com menor quantidade de frutos por ramo e maior irregularidade entre lavouras próximas.

Imagem

Por que importa para o agro

O café é um dos pilares da renda agropecuária de Minas Gerais. Quebras de safra na Zona da Mata pressionam custos, reduzem a disponibilidade de grãos de melhor qualidade e podem impactar contratos de cooperativas e exportadores. Em cenário de clima mais quente e seco, o produtor corre maior risco de perda de produtividade mesmo com bom manejo.

Para o mercado, ondas de calor recorrentes aumentam a volatilidade de preços e elevam a importância de informação climática e gestão de risco. Em períodos de oferta menor, a indústria tende a competir por lotes com boa bebida, abrindo espaço para diferenciação, mas também exigindo mais investimento em tecnologia de manejo.

Dados e contexto

Pesquisadores da Embrapa Café apontam que o calor elevado provoca queda de folhas, diminui a fotossíntese e acelera a perda de água da planta, processo caracterizado como estresse térmico. Mesmo com irrigação, acima de 32–33 °C a fisiologia do cafeeiro é significativamente afetada, com piora na transpiração e na fotossíntese.

Estudos apoiados pela Fundação PROCAFÉ indicam que:

  • Temperaturas diárias acima de 25 °C já começam a limitar a fotossíntese líquida.
  • A partir de 30 °C, o estresse térmico se acentua e a planta gasta mais energia na respiração.
  • Acima de 34 °C, danos em estádios críticos, como floração e enchimento de grãos, podem ser severos e irreversíveis.
Em simulações de mudança climática para Minas Gerais, trabalhos citados por Embrapa mostram que um aumento de 1 °C na temperatura média pode ampliar em cerca de 20% as áreas impróprias ao cultivo de café no estado, mesmo com mais chuva. Com elevação maior, o café tende a se concentrar apenas em faixas mais altas e frias.

A Zona da Mata reúne importantes polos de café arábica em Minas, com produtividade média acima de 800 kg/ha em áreas mais aptas. Ondas de calor, somadas a estiagens na floração e na granação, já têm levado produtores da região a revisar expectativas de produção e planejar podas e renovação de lavouras.

O que observar daqui pra frente

Produtores da Zona da Mata devem monitorar com atenção a combinação de calor e disponibilidade hídrica nos talhões, especialmente em talhões de maior idade e áreas de baixa altitude. A adoção de práticas como sombreamento, manejo de solo para retenção de água, ajuste de época de poda e eventual migração para áreas mais altas tende a ganhar espaço. A frequência e intensidade das próximas ondas de calor serão decisivas para a produtividade e a qualidade da safra de café na região.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo