Calor excessivo ameaça produtividade do café na Zona da Mata de MG
Ondas de calor na Zona da Mata mineira aumentam o estresse térmico dos cafezais e podem reduzir produtividade e qualidade dos grãos.
Ondas de calor na Zona da Mata de Minas Gerais vêm elevando o estresse térmico dos cafezais e trazendo preocupação com a safra. Com temperaturas muitas vezes acima de 30 °C, produtores e técnicos relatam queda no pegamento de frutos, grãos mais leves e risco de redução da produtividade em áreas tradicionais de café arábica.
O que aconteceu
Produtores da Zona da Mata relatam sequência de dias muito quentes em fases sensíveis da cultura, como frutificação e enchimento dos grãos. Nessas condições, o cafeeiro passa a gastar mais energia na respiração, perde água com rapidez e reduz a fotossíntese, o que limita o crescimento e o peso dos grãos.
Consultores e cooperativas da região chamam atenção para lavouras mais expostas, em baixadas quentes e áreas sem sombreamento, onde o estresse é mais intenso. Em talhões com plantas mais velhas, o problema se agrava, com menor quantidade de frutos por ramo e maior irregularidade entre lavouras próximas.
Por que importa para o agro
O café é um dos pilares da renda agropecuária de Minas Gerais. Quebras de safra na Zona da Mata pressionam custos, reduzem a disponibilidade de grãos de melhor qualidade e podem impactar contratos de cooperativas e exportadores. Em cenário de clima mais quente e seco, o produtor corre maior risco de perda de produtividade mesmo com bom manejo.
Para o mercado, ondas de calor recorrentes aumentam a volatilidade de preços e elevam a importância de informação climática e gestão de risco. Em períodos de oferta menor, a indústria tende a competir por lotes com boa bebida, abrindo espaço para diferenciação, mas também exigindo mais investimento em tecnologia de manejo.
Dados e contexto
Pesquisadores da Embrapa Café apontam que o calor elevado provoca queda de folhas, diminui a fotossíntese e acelera a perda de água da planta, processo caracterizado como estresse térmico. Mesmo com irrigação, acima de 32–33 °C a fisiologia do cafeeiro é significativamente afetada, com piora na transpiração e na fotossíntese.
Estudos apoiados pela Fundação PROCAFÉ indicam que:
- Temperaturas diárias acima de 25 °C já começam a limitar a fotossíntese líquida.
- A partir de 30 °C, o estresse térmico se acentua e a planta gasta mais energia na respiração.
- Acima de 34 °C, danos em estádios críticos, como floração e enchimento de grãos, podem ser severos e irreversíveis.
A Zona da Mata reúne importantes polos de café arábica em Minas, com produtividade média acima de 800 kg/ha em áreas mais aptas. Ondas de calor, somadas a estiagens na floração e na granação, já têm levado produtores da região a revisar expectativas de produção e planejar podas e renovação de lavouras.
O que observar daqui pra frente
Produtores da Zona da Mata devem monitorar com atenção a combinação de calor e disponibilidade hídrica nos talhões, especialmente em talhões de maior idade e áreas de baixa altitude. A adoção de práticas como sombreamento, manejo de solo para retenção de água, ajuste de época de poda e eventual migração para áreas mais altas tende a ganhar espaço. A frequência e intensidade das próximas ondas de calor serão decisivas para a produtividade e a qualidade da safra de café na região.
Fontes
- Canal Rural – Calor excessivo pode afetar produtividade do café na Zona da Mata de MG
- Mais Agro – Temperatura e café: calor afeta produtividade
- Embrapa Café – Mudanças climáticas e cafeicultura
- G1 – Como calor e seca afetam alimentos e já deixam o café mais caro
- globorural.globo.com
- g1.globo.com
- muz.ifsuldeminas.edu.br
- scielo.br
- revistacafeicultura.com.br
- globoplay.globo.com
- cocapec.com.br
- agroclima.climatempo.com.br
- repositorio.unesp.br
- cbnribeirao.com.br
- globoplay.globo.com
- cccmg.com.br
- canalrural.com.br
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