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Caso de Newcastle pode pressionar preço do frango no Sul

Restrições às exportações de Santa Catarina podem elevar a oferta no mercado interno e reduzir preços, sobretudo no atacado, no início de 2027.

24 de outubro de 2026 3 min de leitura
Caso de Newcastle pode pressionar preço do frango no Sul

O preço do frango pode cair nos próximos meses, principalmente na Região Sul, após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). A avaliação é do Itaú BBA. O impacto tende a aparecer primeiro no atacado e pode ganhar força no primeiro trimestre de 2027, período de menor consumo doméstico.

O que aconteceu

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o foco em 18 de outubro, em uma propriedade com criação de perus. O estabelecimento foi interditado, teve a movimentação de aves suspensa e passou por despovoamento sanitário, concluído em 20 de outubro.

Como resposta, o governo federal declarou emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. O Mapa também mantém vigilância epidemiológica, monitora propriedades próximas e controla o trânsito de animais e materiais sujeitos a regras sanitárias.

A confirmação provocou restrições comerciais ao frango produzido em Santa Catarina. China, Arábia Saudita, Chile, México e outros compradores suspenderam ou limitaram a entrada da carne catarinense, conforme as condições adotadas por cada país.

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Por que importa para o agro

Santa Catarina é um dos principais polos avícolas do Brasil. Quando parte da produção destinada ao exterior precisa ser redirecionada ao mercado interno, a oferta doméstica aumenta. Esse movimento pode reduzir as cotações, especialmente nas regiões próximas às áreas produtoras.

O efeito deve ser mais forte no atacado do que no varejo. Segundo o Itaú BBA, a queda da carne nas distribuidoras não garante redução imediata nos supermercados, porque frete, custos industriais, margens comerciais e demanda local influenciam o preço final.

Para frigoríficos e produtores integrados, uma restrição prolongada pode elevar gastos com armazenagem, logística e redirecionamento de cargas. A pressão sobre a receita dependerá do tempo necessário para a retomada das exportações e da capacidade de absorção do mercado brasileiro.

Dados e contexto

  • Foco sanitário: criação comercial de perus em Nova Itaberaba (SC).
  • Confirmação: 18 de outubro de 2026, segundo o Mapa.
  • Descarte sanitário: concluído em 20 de outubro.
  • Emergência zoossanitária: 60 dias em quatro municípios catarinenses.
  • Mercado: o Itaú BBA prevê maior possibilidade de queda no primeiro trimestre de 2027.
  • Inflação: o frango em pedaços subiu 0,71% na prévia da inflação de outubro, conforme o índice divulgado pelo IBGE.
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves e exige controle oficial para impedir a disseminação. A ocorrência em uma propriedade não significa, por si só, perda da condição sanitária de todo o país, mas pode gerar embargos específicos por estado, região ou origem da carga.

O que observar daqui para frente

O principal indicador será a duração das restrições impostas pelos compradores internacionais. Também devem ser acompanhados os preços no atacado do Sul, os estoques dos frigoríficos e a evolução da vigilância conduzida pelo Mapa. Se os embarques forem retomados rapidamente, a pressão sobre as cotações tende a ser limitada; se o bloqueio persistir até 2027, a oferta interna poderá crescer e apertar as margens da cadeia.

Fontes

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