Tecnologia

CEOs do agronegócio aceleram investimentos em inteligência artificial

Pesquisa mostra que a maioria dos CEOs do agro brasileiro planeja ampliar investimentos em IA para ganho de eficiência, nova receita e vantagem competitiva.

06 de julho de 2026 4 min de leitura
CEOs do agronegócio aceleram investimentos em inteligência artificial

Os principais executivos do agronegócio brasileiro estão transformando a inteligência artificial de promessa em ferramenta central de gestão. Com a pressão por eficiência, margem mais apertada e disputas por mercado global, a IA entra no centro da estratégia para reduzir custos, aumentar produtividade e acelerar decisões de negócio.

O que aconteceu

Levantamentos recentes com executivos do setor indicam que a maioria dos CEOs do agronegócio já planeja ampliar investimentos em IA nos próximos meses, priorizando integração com plataformas de gestão, análise de dados e automação de processos.[1][5] Em muitos casos, a tecnologia deixa de ser projeto piloto de TI e passa a ser tema direto de conselho e diretoria.

Estudo da PwC com recorte específico para o agro mostra que 78% dos CEOs do agronegócio pretendem investir em IA integrada a soluções tecnológicas no horizonte de 12 meses, percentual superior à média de outros setores da economia.[1][5] A agenda inclui desde algoritmos para previsão de safra e clima até sistemas para gestão de risco, crédito e logística.

Outra frente em avanço é o uso da IA como vetor de crescimento. Em pesquisa setorial, 33% dos CEOs relatam aumento de receita após a adoção da tecnologia, enquanto pouco mais da metade ainda não capturou ganho financeiro relevante.[3][6] A leitura é de que o setor está numa virada: quem já aprendeu a usar dados começa a capturar valor, enquanto boa parte das empresas ainda está na fase de experimentação.

Por que importa para o agro

A decisão dos CEOs de colocar IA no centro da estratégia muda a régua de competitividade no campo. A tecnologia deixa de ser diferencial de poucas empresas de ponta e passa a ser condição básica para manter margem em cadeias com custo apertado, como grãos, proteína animal, cana e hortifrúti. Quem atrasar tende a operar com custo maior, planejamento mais frágil e menor previsibilidade de caixa.

Para o produtor, o efeito vem em duas frentes. De um lado, cooperativas, tradings, indústrias e serviços financeiros passam a oferecer pacotes mais sofisticados de crédito, seguro, barter e assistência técnica baseados em modelos preditivos. De outro, cresce a oferta de ferramentas acessíveis de monitoramento de talhão, recomendação de insumos, regulagem de máquinas e gestão de risco climático, muitas vezes embarcadas em soluções de parceiros.

Dados e contexto

Pesquisas recentes com CEOs do agronegócio indicam mudança de patamar na agenda digital:

  • 78% dos CEOs do agro no Brasil planejam investir em IA integrada a plataformas tecnológicas nos próximos 12 meses, segundo estudo da PwC Brasil sobre a reinvenção do agronegócio.[1][5]
  • A proporção supera a média nacional de outros setores, estimada em cerca de 69% dos executivos com planos semelhantes.[1]
  • Em recorte da 29ª CEO Survey, 63% dos CEOs do agronegócio apontam inovação como fator essencial na estratégia de negócios.[3]
  • 33% das empresas do agro reportaram aumento de receita após adotar IA, enquanto 58% ainda viram pouca ou nenhuma alteração. A leitura é que a captura de valor está concentrada em quem conseguiu conectar tecnologia ao modelo de negócio.[3][6]
Esse movimento também se encaixa em uma transição tecnológica mais ampla no campo. Especialistas apontam que o agronegócio migra do uso de IA apenas preditiva (alertas e dashboards) para soluções prescritivas, capazes de correlacionar clima, solo, genética, manejo e mercado e sugerir ações concretas ou até executá-las de forma automatizada.[2] Isso reforça a visão do “agro orientado por dados”, em que decisões de manejo e comerciais são cada vez menos intuitivas.

Outro ponto em discussão entre CEOs é o impacto da IA sobre a força de trabalho. Estudos recentes indicam que parte dos executivos prevê redução de funções operacionais, especialmente entre profissionais jovens em atividades repetitivas, ao mesmo tempo em que cresce a demanda por perfis analíticos e de gestão de dados.[7] O desafio passa a ser requalificar equipes e redesenhar funções em fazendas, cooperativas e agroindústrias.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos anos, o ponto-chave será separar projetos de IA que apenas geram relatórios daqueles que entregam resultado concreto em produtividade, custo por hectare e margem. Produtores e empresas devem acompanhar como os CEOs alinham investimento em dados, conectividade e gente qualificada, além da integração com biotecnologia, maquinaria e finanças. Quem conseguir combinar essas frentes tende a ganhar vantagem estrutural em custo e acesso a mercados mais exigentes.

Fontes

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