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China restringe importação de frango de Santa Catarina após foco de Newcastle

Embargo chinês atinge 14 estabelecimentos catarinenses, enquanto o Brasil tenta limitar o impacto sobre as exportações nacionais de frango.

20 de outubro de 2026 4 min de leitura
China restringe importação de frango de Santa Catarina após foco de Newcastle

A China decidiu suspender as importações de carne de aves produzida em Santa Catarina após a confirmação de um foco de Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus. A medida atinge 14 estabelecimentos habilitados e concentra o bloqueio no estado, sem embargo nacional ao frango brasileiro.

O que aconteceu

O Ministério da Agricultura confirmou o foco sanitário em 18 de outubro, em uma criação com cerca de 6 mil perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. O governo declarou emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios da região: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

O protocolo sanitário entre Brasil e China prevê a suspensão de embarques quando há registro da doença. O Ministério da Agricultura buscou restringir a medida aos municípios afetados ou, no máximo, ao estado de Santa Catarina. A decisão chinesa alcançou 14 unidades, de um total de 61 estabelecimentos brasileiros habilitados a exportar para o país.

A doença de Newcastle é viral e afeta aves domésticas e silvestres. O controle depende de isolamento, investigação epidemiológica, abate sanitário quando necessário e rastreamento dos contatos da propriedade afetada.

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Por que importa para o agro

Santa Catarina é um dos principais polos brasileiros de produção e exportação de aves. A restrição reduz o mercado disponível para frigoríficos, cooperativas e produtores integrados do estado. Parte da carga destinada à China pode ser redirecionada, mas isso tende a pressionar preços, estoques e custos logísticos.

O impacto nacional é menor porque o embargo ficou limitado à produção catarinense. Mesmo assim, o episódio aumenta a atenção dos compradores sobre a defesa sanitária brasileira. Novas ocorrências ou restrições ampliadas poderiam afetar contratos, abates e a formação de preços em outras regiões produtoras.

Dados e contexto

  • A China respondeu por aproximadamente 10% das exportações brasileiras de carne de frango entre janeiro e setembro, com cerca de 420 mil toneladas, segundo dados oficiais divulgados pelo governo.
  • O embargo envolve 14 estabelecimentos catarinenses, equivalentes a cerca de 23% das 61 unidades brasileiras habilitadas para vender à China.
  • A Conab projeta produção brasileira de carne de frango de 16,3 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,1% sobre o ano anterior.
  • As exportações brasileiras de carne de frango devem alcançar 5,76 milhões de toneladas em 2026, crescimento estimado de 11,53% pela Conab.
  • O protocolo comercial com a China prevê medidas sanitárias específicas em caso de detecção de Newcastle, o que pode interromper temporariamente os embarques da área afetada.
O caso também ocorre após outros episódios sanitários que afetaram o comércio internacional de aves brasileiras. A resposta rápida do MAPA e a delimitação geográfica da ocorrência serão decisivas para preservar a habilitação dos demais estados e estabelecimentos.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a conclusão da investigação epidemiológica, os resultados das ações de controle e a duração efetiva do embargo. Produtores e frigoríficos catarinenses precisam monitorar exigências de rastreabilidade, reforçar biossegurança e avaliar destinos alternativos. A retomada das vendas dependerá da comprovação de controle sanitário e da negociação entre os governos brasileiro e chinês.

Fontes

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