Manejo

Chuva irregular atrasa semeadura da soja em Mato Grosso

Plantio da soja 2026/27 alcança 0,6% da área em Mato Grosso, com avanço concentrado em áreas irrigadas devido à distribuição irregular das chuvas.

23 de setembro de 2026 4 min de leitura
Chuva irregular atrasa semeadura da soja em Mato Grosso

A semeadura da soja da safra 2026/27 começou em Mato Grosso, mas avança lentamente por causa da distribuição irregular das chuvas. Até 23 de setembro, apenas 0,6% da área projetada havia sido plantada, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O ritmo interfere no planejamento da safra e mantém o produtor em alerta para o risco de replantio.

O que aconteceu

As primeiras áreas foram semeadas onde houve registro de umidade suficiente no solo. O trabalho está mais concentrado em propriedades com irrigação por pivô central, enquanto as lavouras de sequeiro aguardam precipitações mais regulares para iniciar ou ampliar as operações.

O problema não é apenas o volume acumulado. As chuvas ocorrem de forma localizada, com diferenças significativas entre propriedades próximas. Algumas regiões receberam precipitações expressivas, enquanto outras continuam com solo seco poucos quilômetros adiante.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) avalia que o plantio deve ganhar ritmo na primeira quinzena de outubro, caso as chuvas se tornem mais frequentes. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicava acumulados de 30 a 50 milímetros em grande parte do estado nos dez dias seguintes ao início da semeadura.

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Por que importa para o agro

A decisão de plantar com pouca umidade aumenta o risco de falhas na germinação e de necessidade de replantio. Para reduzir perdas, muitos produtores preferem esperar uma chuva capaz de garantir a emergência inicial e, principalmente, sinais de continuidade das precipitações.

O atraso também afeta a segunda safra de milho, cuja janela depende da conclusão da soja. Se o plantio avançar mais tarde do que o planejado, o milho poderá ser cultivado fora do período de maior segurança climática, elevando a exposição a estiagens no fim do ciclo.

Dados e contexto

  • Mato Grosso deve plantar cerca de 13 milhões de hectares de soja na safra 2026/27, conforme estimativa citada pelo Imea.
  • A Conab registrou 0,6% da área semeada até 23 de setembro.
  • No mesmo período da safra anterior, o avanço informado pela Conab estava em aproximadamente 0,7%, diferença de 0,1 ponto percentual.
  • O Imea registrou 1,15% de plantio até 18 de setembro, indicador acima dos 0,55% observados no mesmo momento do ciclo anterior em sua base de acompanhamento.
  • O plantio ocorre após o encerramento do vazio sanitário da soja, período destinado à redução da sobrevivência e da multiplicação do fungo causador da ferrugem-asiática.
  • A influência do El Niño aumenta a preocupação com a irregularidade das chuvas e com a possibilidade de encurtamento da janela hídrica em algumas regiões.
Os números diferem porque Conab e Imea utilizam datas de coleta e metodologias próprias. As duas bases, porém, indicam que a operação ainda está no início e depende da regularização do clima.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar a umidade do solo, a previsão de chuva acumulada e a distribuição das precipitações antes de ampliar a área plantada. Também precisa monitorar a emergência das lavouras já implantadas e manter planejamento para eventual replantio. A regularização das chuvas em outubro pode acelerar a semeadura; novas interrupções podem pressionar a janela do milho e elevar os custos operacionais.

Fontes

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