Manejo

El Niño aumenta risco de podridão radicular na soja

Chuvas frequentes e excesso de umidade elevam a pressão de doenças na soja; manejo do solo e planejamento da semeadura reduzem perdas.

22 de setembro de 2026 3 min de leitura
El Niño aumenta risco de podridão radicular na soja

A influência do El Niño pode elevar o volume e a frequência das chuvas em parte do Brasil, aumentando a pressão sobre as lavouras de soja. O excesso de umidade favorece a podridão radicular de fitóftora, além de dificultar operações no campo e elevar o risco de perdas produtivas.

O que aconteceu

A podridão radicular de fitóftora é mais frequente em áreas compactadas, mal drenadas e sujeitas ao acúmulo de água. O problema pode provocar o apodrecimento de sementes, a morte de plântulas e, em plantas adultas, o escurecimento da haste, a murcha e a morte das raízes.

Segundo a Embrapa, a doença está associada à presença de água livre no solo. Chuvas no início do ciclo favorecem falhas de estande e tombamento de plantas. Durante o desenvolvimento, o encharcamento amplia o risco de danos radiculares e morte de plantas.

O clima úmido também pode antecipar ou intensificar outras doenças da soja. A ferrugem-asiática, por exemplo, encontra condições mais favoráveis quando há períodos prolongados de chuva e maior umidade nas regiões produtoras.

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Por que importa para o agro

A doença reduz o número de plantas produtivas e pode comprometer o potencial de rendimento da lavoura. O impacto tende a ser maior em baixadas, solos argilosos, áreas compactadas e talhões com drenagem deficiente.

O excesso de chuva também afeta o calendário operacional. A entrada de máquinas pode ser adiada, a semeadura pode ficar concentrada em janelas menores e a colheita pode enfrentar problemas de umidade e qualidade dos grãos. Esses fatores aumentam custos e pressionam a logística de secagem e armazenagem.

Dados e contexto

  • A Embrapa classifica a fitóftora como uma doença favorecida por solo saturado, compactação e drenagem insuficiente.
  • A formação de palhada ajuda a proteger o solo contra erosão e melhora sua estrutura ao longo do tempo.
  • O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes distribuem o risco climático na propriedade.
  • O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), coordenado pelo Ministério da Agricultura, orienta períodos de plantio conforme município, cultura e tipo de solo.
A recomendação técnica é combinar medidas preventivas. O produtor deve priorizar cultivares resistentes ou tolerantes, quando disponíveis, e realizar o tratamento de sementes com fungicida específico para fitóftora. Também é necessário evitar a implantação em solo encharcado ou diante de previsão de chuva volumosa logo após a emergência.

A melhoria da drenagem e a redução da compactação são medidas estruturais. Plantas de cobertura, rotação de culturas, manutenção da palhada e tráfego controlado de máquinas contribuem para aumentar a infiltração e reduzir o tempo de saturação do solo.

O que observar daqui pra frente

O monitoramento deve começar antes da semeadura e continuar após a emergência. É preciso acompanhar previsão de chuva, pontos de alagamento, falhas de estande, murcha e morte de plantas. A decisão sobre fungicidas deve considerar a cultivar, o histórico da área, as condições ambientais e a orientação de um profissional habilitado.

Fontes

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