Manejo

Chuva irregular e calor pressionam cafeicultura na Bahia

Oscilações no regime de chuvas e temperaturas elevadas aumentam o risco de perdas na produção e na qualidade do café baiano.

24 de setembro de 2026 3 min de leitura
Chuva irregular e calor pressionam cafeicultura na Bahia

A combinação de chuvas mal distribuídas e temperaturas elevadas preocupa produtores de café na Bahia. O cenário aumenta o estresse hídrico das lavouras, compromete o desenvolvimento dos frutos e pode reduzir produtividade e qualidade. O impacto depende da região, da fase da planta e da disponibilidade de irrigação.

O que aconteceu

Produtores relatam dificuldade para manter o equilíbrio hídrico das lavouras diante de períodos secos intercalados com chuvas pontuais. A irregularidade impede que a água seja aproveitada de forma uniforme pelo solo e pelas plantas, especialmente em áreas de maior temperatura.

O calor intensifica a perda de água por evaporação e transpiração. Quando ocorre durante a floração, pode reduzir a viabilidade do pólen e favorecer o abortamento de flores. Na fase de formação e enchimento, a falta de água limita o crescimento dos grãos e aumenta a ocorrência de frutos menores.

A situação exige atenção também nas áreas irrigadas. O manejo precisa considerar umidade do solo, previsão climática, estágio fenológico e capacidade dos equipamentos. Irrigar sem monitoramento pode elevar custos sem corrigir completamente o déficit hídrico.

Por que importa para o agro

A Bahia tem participação relevante na produção nacional, com destaque para o conilon no oeste e no sul do estado e para o arábica em outras regiões produtoras. A Conab estimou, na primeira projeção para 2026, uma colheita de 4,6 milhões de sacas no estado, sendo 1,2 milhão de arábica e 3,4 milhões de conilon.

Se o clima adverso persistir, a perda pode aparecer em diferentes pontos da cadeia: menor rendimento no beneficiamento, queda da peneira, maior proporção de grãos chochos e possível redução da qualidade da bebida. Para o produtor, isso significa risco de menor receita por hectare e aumento dos gastos com irrigação, energia e recuperação das plantas.

Dados e contexto

A Embrapa aponta que o déficit hídrico prolongado entre dezembro e março prejudica a expansão dos frutos e o preenchimento do endosperma. O resultado pode ser menor granulometria e maior incidência de grãos malformados.

Temperaturas foliares acima de 34 °C podem causar fotoinibição e escaldadura em folhas e frutos expostos. Durante a fase reprodutiva, temperaturas do ar acima de 32 °C reduzem a viabilidade do pólen do café arábica e podem provocar abortamento floral.

IndicadorInformação
Produção estimada da Bahia em 20264,6 milhões de sacas
Café arábica1,2 milhão de sacas
Café conilon3,4 milhões de sacas
Temperatura associada a danos foliaresAcima de 34 °C
Temperatura crítica na reprodução do arábicaAcima de 32 °C

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar a umidade do solo em diferentes profundidades, ajustar a irrigação à demanda real da planta e proteger o solo contra perdas de água, com cobertura vegetal e manejo adequado entre as linhas. Também é preciso monitorar floradas, pegamento e enchimento dos frutos. A evolução das chuvas e das temperaturas nas próximas semanas será decisiva para confirmar o potencial produtivo e orientar novas decisões de manejo.

Fontes

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