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El Niño exige ajuste no calendário e atenção à distribuição das chuvas

Primavera de 2026 terá chuva irregular no Brasil, com riscos distintos para o plantio, o desenvolvimento das lavouras e a segunda safra.

23 de setembro de 2026 4 min de leitura
El Niño exige ajuste no calendário e atenção à distribuição das chuvas

A primavera de 2026 começa sob influência de um El Niño forte, com previsão de chuva irregular e temperaturas acima da média em grande parte do Brasil. O cenário combina déficit hídrico no centro-norte com excesso de precipitação no Sul e em áreas do Sudeste. Para o produtor, o principal desafio será ajustar o calendário de plantio à distribuição da chuva, e não apenas ao volume acumulado.

O que aconteceu

As projeções para o trimestre de outubro a dezembro indicam maior probabilidade de chuvas abaixo da média em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo estão entre as regiões que podem enfrentar períodos mais secos e veranicos.

No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a tendência é de chuva acima da média. São Paulo e Mato Grosso do Sul também podem registrar volumes elevados em alguns períodos. A irregularidade pode provocar extremos: falta de umidade no momento do plantio e chuvas intensas durante a emergência ou a colheita.

O problema não está somente na quantidade de chuva. A concentração em poucos eventos reduz a previsibilidade da janela agrícola, dificulta a formação do estande e aumenta o risco de replantio. No Sul, o excesso de umidade pode atrasar operações, compactar o solo e favorecer doenças.

Por que importa para o agro

O plantio da soja depende da reposição de umidade no solo e de uma sequência de dias com condições adequadas para a semeadura. Se a chuva atrasar no Centro-Oeste, a soja pode ocupar uma janela menor e pressionar o calendário do milho safrinha. Atrasos sucessivos elevam o risco de a segunda safra avançar sobre períodos de menor disponibilidade hídrica.

No Sul, o excesso de chuva pode reduzir o ritmo de plantio, dificultar a entrada de máquinas e aumentar perdas por erosão e encharcamento. Em culturas como trigo, milho e arroz, a umidade elevada também exige maior atenção ao controle de doenças e à qualidade dos grãos.

A diferença regional cria efeitos distintos sobre o mercado. Quebras localizadas podem reduzir a oferta, enquanto atrasos na colheita afetam logística, armazenagem e cumprimento de contratos. O impacto final dependerá da duração dos períodos secos e da intensidade dos eventos extremos.

Dados e contexto

  • Outubro a dezembro: período usado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) nas projeções sazonais citadas para a primavera.
  • Centro-norte: maior risco de chuva abaixo da média e temperaturas elevadas, com possibilidade de veranicos.
  • Sul: maior probabilidade de precipitação acima da média e ocorrência de tempestades intensas.
  • Brasil Central: irregularidade pode afetar o plantio da soja e reduzir a janela do milho segunda safra.
  • El Niño: fenômeno associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, capaz de alterar a circulação atmosférica e os padrões de chuva.
As previsões são sazonais e não determinam o comportamento de cada semana. O acompanhamento de boletins do Inmet, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Conab e de órgãos estaduais deve orientar decisões mais próximas da operação.

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar a umidade do solo, a previsão de curto prazo e a evolução da janela de plantio antes de acelerar a semeadura. No centro-norte, o risco é plantar com pouca umidade e enfrentar falhas de emergência; no Sul, é operar em solo encharcado. A estratégia passa por escalonar áreas, preservar cobertura do solo, revisar cultivares e manter alternativas para replantio e seguro rural.

Fontes

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