Manejo

Clima ajuda lavouras de trigo e milho segunda safra a avançar no Brasil

Umidade adequada, temperaturas amenas e tempo seco favorecem o desenvolvimento do trigo e do milho segunda safra, reforçando a perspectiva de boa produção.

28 de junho de 2026 4 min de leitura
Clima ajuda lavouras de trigo e milho segunda safra a avançar no Brasil

As condições climáticas recentes nas principais regiões produtoras do Brasil estão favorecendo o desenvolvimento das lavouras de trigo e do milho segunda safra.[1] Umidade adequada no solo, temperaturas mais baixas no Sul e tempo mais seco em áreas de maturação permitem avanço dos cultivos e sustentam expectativa de boa produtividade, o que é relevante para renda do produtor e oferta interna de grãos.[1]

O que aconteceu

Monitoramentos de campo apontam que o trigo vem apresentando bom desenvolvimento em importantes polos do Sul, com lavouras mais uniformes e recuperação em áreas que tinham sofrido com excesso de chuva no início do ciclo.[1][5] A combinação de frio moderado e boa disponibilidade hídrica favorece perfilhamento, alongamento e enchimento de grãos, etapa crítica para definir rendimento por hectare.[4][5]

No milho segunda safra, a situação também é considerada satisfatória na maior parte das regiões acompanhadas, com índice de vegetação próximo ao observado na safra anterior.[1] A maior parte das áreas já se encontra em fases finais de ciclo, e parcela significativa das lavouras está em maturação, beneficiada por período de tempo mais seco, que reduz risco de doenças e melhora condições de colheita.[1]

Relatos de campo indicam avanço consistente das operações de manejo e monitoramento, com produtores aproveitando janelas de clima firme para aplicação de defensivos, adubação de cobertura e planejamento da colheita do milho safrinha.[1][9]

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Por que importa para o agro

Para o produtor de trigo, o clima mais favorável nesta fase reduz riscos de perdas por doenças foliares e problemas no enchimento de grãos, aumentando a chance de atingir produtividades próximas ao potencial das cultivares.[4][5] Em cenário de custos elevados, essa combinação de clima adequado e bom desenvolvimento é decisiva para fechar a conta da safra.

No milho segunda safra, a maturação em ambiente com menos chuva e temperaturas adequadas reduz a pressão de patógenos, favorece qualidade de grão e agiliza a colheita.[1][9] Com grande parte do milho brasileiro concentrada na safrinha, um desempenho positivo nessas lavouras impacta oferta interna, exportações e cadeia de proteína animal, que depende fortemente do cereal como fonte de ração.

Dados e contexto

A cultura do milho responde de forma direta à temperatura, água e luminosidade.[4] A temperatura ideal para o desenvolvimento do milho, da emergência à floração, fica entre 24 °C e 30 °C, com prejuízo sensível à germinação em solos abaixo de 10 °C ou acima de 40 °C.[4]

Durante a polinização, temperaturas acima de 33 °C reduzem a germinação do pólen, afetando formação de espigas.[4] Já temperaturas noturnas muito elevadas, acima de 24 °C, aumentam a respiração da planta e reduzem o acúmulo de fotossimilados, o que pode diminuir a produção final.[4]

Verões com temperatura média diária inferior a 19 °C e noites com menos de 12,8 °C não são recomendados para produção de milho, pois atrasam o crescimento.[4] Temperaturas abaixo de 15 °C tendem a retardar a maturação dos grãos.[4]

No caso da safrinha, boletins da Conab mostram que, em safras recentes, a produção de milho segunda safra superou 80 milhões de toneladas, respondendo por grande parte da oferta nacional de milho.[2][6] Esse peso da safrinha na produção total aumenta a sensibilidade do mercado às condições climáticas entre outono e inverno.

Para o trigo, análises sobre o Sul indicam que, em períodos de clima favorável, o potencial produtivo é ampliado, com ganhos de rendimento em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.[5] Esses estados são relevantes para o abastecimento interno de trigo, reduzindo a necessidade de importações em anos de boa safra.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar de perto previsões de chuva e temperatura para ajustar manejo de doenças, janela de colheita e planejamento de armazenamento de trigo e milho.[4][6] Mudanças bruscas de clima, como geadas tardias, ondas de calor ou excesso de chuva na maturação, ainda podem comprometer parte da produção, afetando qualidade e logística. Monitorar boletins de agrometeorologia e relatórios de instituições como Conab e Embrapa ajuda a antecipar riscos e aproveitar oportunidades comerciais.

Fontes

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