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Clima irregular exige cautela no início do plantio de soja em MT na safra 2026/27

Imea alerta que a semeadura da soja 2026/27 em Mato Grosso deve avançar com cautela por causa da irregularidade das chuvas e da atuação de um El Niño forte.

15 de setembro de 2026 4 min de leitura
Clima irregular exige cautela no início do plantio de soja em MT na safra 2026/27

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) alerta que o início do plantio da soja 2026/27 em Mato Grosso deve ser conduzido com cautela devido à previsão de chuvas irregulares e à atuação de um El Niño de forte intensidade, que podem afetar a germinação e o estabelecimento das lavouras. O cenário importa diretamente para o produtor, pois eleva o risco de replantio, pressiona custos e pode comprometer a produtividade de uma das principais regiões sojicultoras do país.

O que aconteceu

Com o fim do vazio sanitário em 6 de setembro, os produtores de Mato Grosso estão liberados para iniciar a semeadura da soja da safra 2026/27. O Imea, porém, orienta que o avanço das plantadeiras dependa da confirmação de chuvas mais regulares e de umidade adequada no solo, evitando o plantio apenas com uma primeira chuva isolada.

Enquanto estados como o Paraná já registram avanço acelerado da semeadura, Mato Grosso e o Matopiba seguem em ritmo inicial e mais gradual. Para os próximos dias, a previsão indica acumulados na faixa de 30 a 50 mm em boa parte do estado; se confirmados, esses volumes podem destravar o início dos trabalhos, mas a projeção de redução das chuvas na sequência acende alerta para áreas já semeadas.

O Imea chama atenção para a presença de um El Niño forte no Pacífico, fenômeno associado a maior risco de veranicos e déficit hídrico no Centro-Oeste. Na prática, a irregularidade das precipitações durante a primavera pode impactar não só o plantio, mas também o desenvolvimento das plantas, com reflexos diretos na produtividade da safra.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o clima mais instável no início da temporada muda o manejo de risco. Plantar cedo demais, sem garantia de umidade contínua, aumenta a chance de falhas de germinação, estresse hídrico inicial e necessidade de replantio, elevando custos diretos em sementes, operações e insumos. Em um cenário em que o Imea já projeta custos maiores por hectare para 2026/27, cada decisão de data de plantio pesa mais no bolso.

Na cadeia da soja, atrasos ou problemas de estabelecimento podem mexer na janela da safrinha de milho em Mato Grosso, principal estado produtor tanto de soja quanto de milho 2ª safra. Se o plantio da oleaginosa escorregar para datas mais tardias, parte das áreas pode perder a melhor janela de milho, com impacto potencial em oferta futura, logística e formação de preços internos.

Dados e contexto

O Imea vem destacando que a safra 2026/27 de soja em Mato Grosso combina incerteza climática com aumento de custos de produção. Boletins recentes apontam:

  • Alta de 3% a 5% nos custos totais da soja por hectare em relação ao ciclo anterior.
  • Projeção de área próxima de 13 milhões de hectares, com crescimento limitado em função do risco climático.
  • Produtividade estimada com viés de queda frente à safra passada, refletindo o risco de veranicos em cenário de El Niño.
Instituições como NOAA e Inmet indicam probabilidade superior a 80%–90% para El Niño forte até o verão 2026/27, com tendência de chuvas irregulares e ondas de calor em partes do Centro-Oeste e Matopiba. Em estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul, a previsão é mais favorável ao início do plantio, com volumes de chuva próximos da normalidade, o que reforça a diferença regional de risco.
IndicadorSituação 2026/27 em MT

| Vazio sanitário da soja | Encerrado em 6 de setembro | | Início autorizado do plantio | Setembro de 2026 | | Fenômeno climático dominante | El Niño forte | | Risco principal | Chuvas irregulares e veranicos |

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o produtor deve acompanhar de perto os boletins de Imea, Inmet e serviços privados de meteorologia, priorizando o plantio em áreas com melhor armazenamento de água no solo e previsão mais estável de chuva. A atenção se volta à sequência das precipitações após a primeira chuva, ao calendário da soja em relação à janela do milho safrinha e à resposta das lavouras em regiões mais suscetíveis a veranicos, ajustando datas de plantio, cultivares e manejo para reduzir perdas em um ciclo marcado pela influência do El Niño.

Fontes

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