Mercado

Clima reduz safra de trigo do Paraná em 234 mil toneladas

Deral corta a estimativa da safra de trigo do Paraná para 2,136 milhões de toneladas, ampliando a dependência de cereal de outros estados e países.

27 de setembro de 2026 3 min de leitura
Clima reduz safra de trigo do Paraná em 234 mil toneladas

A produção de trigo do Paraná foi revisada para 2,136 milhões de toneladas em 2026, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). A nova estimativa representa uma redução de aproximadamente 234 mil toneladas em relação à projeção anterior, de 2,37 milhões de toneladas. Com menor oferta e qualidade mais irregular, os moinhos paranaenses deverão buscar cereal fora do estado.

O que aconteceu

A revisão ocorreu durante o avanço da colheita. A produtividade esperada caiu de 54 para 49 sacas por hectare, pressionada por temperaturas acima da média e pelo excesso de chuvas em agosto e setembro. A combinação afetou o potencial produtivo das lavouras e aumentou o risco de perda de qualidade dos grãos.

O Deral também reduziu a avaliação das condições das plantações. As áreas classificadas como boas passaram de 75% para 64%, enquanto a parcela considerada ruim subiu de 3% para 7%. A colheita avançou de 5% para 20% da área estimada em boletim de setembro, com produtores acelerando os trabalhos diante da previsão de novas chuvas.

Por que importa para o agro

O Paraná é um dos principais produtores de trigo do país e concentra uma parcela relevante da moagem nacional. A menor produção reduz a disponibilidade regional, especialmente de trigo com qualidade adequada para panificação e fabricação de farinha. Moinhos podem precisar ampliar compras em outras regiões e ajustar estoques.

A primeira alternativa tende a ser o Rio Grande do Sul, onde as projeções indicam oferta superior à demanda. Com a redução dos estoques disponíveis, Paraguai e Argentina também podem ganhar espaço no abastecimento da indústria paranaense. Fretes, câmbio e preços internacionais serão fatores decisivos para o custo do cereal.

Dados e contexto

  • Estimativa atual: 2,136 milhões de toneladas.
  • Estimativa anterior: 2,37 milhões de toneladas.
  • Redução: cerca de 234 mil toneladas, ou aproximadamente 10%.
  • Produtividade projetada: queda de 54 para 49 sacas por hectare.
  • Condição boa das lavouras: recuo de 75% para 64%.
  • Condição ruim: aumento de 3% para 7%.
  • Produção paranaense em 2025: 2,85 milhões de toneladas, em um ciclo favorecido pelo clima.
A diferença entre a estimativa de 2026 e o resultado de 2025 supera 700 mil toneladas. A comparação, porém, combina uma previsão ainda sujeita a ajustes com o resultado consolidado do ciclo anterior. O número final dependerá do rendimento e da qualidade obtidos nas áreas restantes.

A Conab acompanha a oferta nacional, os estoques e o fluxo de importações. No Paraná, o monitoramento do Deral deve continuar orientando as revisões de produção e das condições de colheita.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar o ritmo da colheita, a qualidade do trigo recebido pelos moinhos e a necessidade de compras externas. Para produtores, a segregação dos lotes e a definição rápida do destino comercial podem reduzir descontos por qualidade. Para a indústria, fretes, disponibilidade no Rio Grande do Sul e custos de importação serão os principais pontos de atenção.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo