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Uruguai libera excedente de cota de carne bovina para o Brasil na China

Acordo permite ao Brasil usar parte do saldo uruguaio para exportar carne bovina à China, após o esgotamento da cota brasileira de 2026.

27 de setembro de 2026 4 min de leitura
Uruguai libera excedente de cota de carne bovina para o Brasil na China

O Uruguai autorizou o Brasil a utilizar parte do excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China em 2026. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após reunião com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York. A medida abre espaço adicional para frigoríficos brasileiros, que já completaram o limite nacional com tarifa reduzida.

O que aconteceu

Lula informou que agradeceu a Orsi pela autorização para o uso do saldo uruguaio. A transferência envolve apenas o volume que o Uruguai não pretende embarcar neste ano e depende da operacionalização entre os governos e empresas habilitadas.

Segundo informações divulgadas por fontes do setor, cerca de 80 mil toneladas podem ser destinadas ao Brasil. O volume equivale aproximadamente a um mês de embarques brasileiros para o mercado chinês, embora a utilização efetiva dependa do calendário de exportação e dos procedimentos aduaneiros.

A medida ocorre após o Brasil atingir sua cota de 2026 para carne bovina na China. Fora desse limite, as exportações ficam sujeitas a uma tarifa adicional, o que reduz a competitividade do produto brasileiro e pode alterar a margem dos frigoríficos.

Por que importa para o agro

A China é o principal destino da carne bovina brasileira. O acesso a uma parcela da cota uruguaia pode manter o fluxo de embarques até o fim do ano e reduzir o risco de concentração de oferta no mercado interno. Para os frigoríficos, o benefício está no uso de uma alíquota mais favorável.

O efeito sobre o produtor tende a ser indireto. Uma demanda externa mais firme pode sustentar as compras de gado e ajudar a preservar os preços da arroba, mas o impacto dependerá do volume realmente liberado, da velocidade dos embarques e das condições do mercado doméstico.

A medida também reforça a cooperação comercial entre Brasil e Uruguai. Ao mesmo tempo, não substitui negociações para ampliar permanentemente o acesso brasileiro ao mercado chinês, nem elimina a exposição do setor às regras definidas por Pequim.

Dados e contexto

A China estabeleceu cotas tarifárias por país para as importações de carne bovina. Os volumes previstos para 2026 incluem:

PaísCota de 2026
Brasil1,106 milhão de toneladas
Argentina511 mil toneladas
Uruguai324 mil toneladas
Nova Zelândia206 mil toneladas
Austrália205 mil toneladas
Estados Unidos164 mil toneladas

Os dados constam de relatório do Serviço Agrícola Exterior do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A cota brasileira representa cerca de 41% do volume distribuído entre os principais fornecedores, enquanto a uruguaia corresponde a aproximadamente 12%.

De acordo com informações setoriais, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia que o aproveitamento integral do saldo uruguaio pode ser limitado. Em novembro, os frigoríficos brasileiros já começam a embarcar produto destinado à cota de 2027, reduzindo o tempo disponível para usar o volume de 2026.

O que observar daqui para frente

O setor deve acompanhar a regulamentação do acordo, a quantidade efetivamente disponibilizada pelo Uruguai e os prazos para habilitação dos embarques. Também será necessário observar a reação da China, os preços internacionais e o efeito da tarifa fora da cota sobre a rentabilidade dos frigoríficos e a demanda por gado no Brasil.

Fontes

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