Clima seco acelera colheita e derruba preços do café no Brasil
Tempo firme antecipou a colheita de café, elevou a oferta no físico e pressiona cotações internas, mesmo com suporte parcial de Nova York e do câmbio.

O tempo seco nas principais regiões produtoras de café do Brasil acelerou a colheita nas últimas semanas, ampliou a oferta no mercado físico e pressionou as cotações internas, aponta relatório do Itaú BBA. Mesmo com algum suporte da Bolsa de Nova York e do câmbio, os preços recebidos pelos produtores recuaram, especialmente para cafés de qualidade mais baixa.
O que aconteceu
Relatório recente do Itaú BBA mostra que a colheita de café arábica no Brasil avança em ritmo mais rápido que o usual, favorecida por clima firme em Minas Gerais, São Paulo e Cerrado. A maior disponibilidade de café novo no mercado físico aumenta a competição entre produtores e cooperativas pela venda, o que puxa os preços para baixo.
No mercado internacional, as cotações em Nova York ainda operam em patamar historicamente elevado, influenciadas por preocupações com oferta global e por problemas climáticos em outros países produtores. Porém, a queda dos prêmios pagos pelo café brasileiro e o aumento da base ofertada limitam o repasse desse valor ao produtor.
Outro ponto destacado pelo banco é a diferença de comportamento entre cafés de melhor e de pior qualidade. Lotes com boa bebida e peneira seguem encontrando demanda e negociando com algum prêmio, enquanto cafés inferiores enfrentam maior desvalorização, com descontos mais profundos na comparação com a safra anterior.
Por que importa para o agro
Para o produtor, o avanço acelerado da colheita em um cenário de preços pressionados aumenta o risco de vendas forçadas para fazer caixa, especialmente entre aqueles com pouco acesso a crédito e travas de preço. Isso pode comprometer a rentabilidade da safra e a capacidade de investimento em tratos culturais para o próximo ciclo.
Na cadeia, a queda das cotações internas melhora o custo de reposição para indústrias e exportadores, o que tende a favorecer a competitividade do café brasileiro no mercado externo. Porém, a combinação de preços menores e custos elevados com mão de obra, insumos e frete reduz a margem do produtor e pode influenciar decisões de manejo, como adubação e renovação de lavouras.
Dados e contexto
Segundo a Conab, o Brasil deve colher em 2024 uma safra total de café (arábica + robusta) próxima de 58–60 milhões de sacas, consolidando o país como maior produtor e exportador global. Minas Gerais responde por mais de 50% do arábica nacional, sendo a região mais sensível ao clima seco na colheita.
O Itaú BBA destaca que a combinação de clima favorável à colheita e boa bienalidade em parte das lavouras de arábica sustenta a oferta neste ano. Ao mesmo tempo, o mercado segue atento à qualidade dos grãos, já que períodos de seca prolongada podem acelerar a maturação e concentrar a derriça, exigindo manejo eficiente para evitar perdas.
No câmbio, o real desvalorizado ainda oferece suporte às cotações em reais, tornando o café brasileiro competitivo em dólar. Porém, esse efeito é parcialmente neutralizado pela maior oferta física no curto prazo. Dados do Cecafé indicam que o Brasil segue embarcando volumes robustos, o que ajuda a escoar a safra, mas não elimina a pressão sobre preços internos no pico da colheita.
| Indicador | Situação recente* |
|---|
| Colheita de arábica | Ritmo adiantado com clima seco | | Preços internos | Pressão de baixa, sobretudo cafés comuns | | NY ICE (contrato futuro) | Patamar historicamente elevado | | Câmbio (R$/US$) | Nível depreciado, favorecendo exportação |
*Com base em análises de mercado do Itaú BBA, Conab e Cecafé.
O que observar daqui pra frente
Nas próximas semanas, o foco estará na continuidade do clima seco e na evolução da colheita em Minas Gerais e demais polos de arábica. Produtores devem acompanhar oportunidades de fixação parcial de preço em momentos de recuperação das cotações em Nova York, bem como a demanda de exportadores por cafés de melhor qualidade. A relação entre oferta concentrada no curto prazo, câmbio e apetite da indústria interna definirá se a pressão baixista persiste ou se o mercado encontra piso antes do fim da safra.
Fontes
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