Sustentabilidade

CNA leva oito prioridades do agro brasileiro à COP31

Documento da CNA propõe financiamento climático, adaptação, valorização da conservação e comércio internacional sem barreiras ambientais ao agro.

16 de outubro de 2026 4 min de leitura
CNA leva oito prioridades do agro brasileiro à COP31

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou um documento com oito propostas para orientar a participação do setor na COP31, marcada para ocorrer de 9 a 20 de novembro, em Antalya, na Turquia. O texto defende medidas práticas para transformar metas climáticas em crédito, seguro, tecnologia e remuneração ao produtor.

O que aconteceu

O posicionamento foi entregue a representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Embrapa que integram a delegação brasileira nas negociações climáticas. A entidade também pretende encaminhar o documento a órgãos públicos e organizações ligadas ao setor.

As propostas abrangem financiamento climático, adaptação, mitigação, conservação de recursos naturais, transição para uma economia de baixo carbono e comércio internacional. A CNA pede que as negociações considerem as diferenças entre sistemas produtivos e regiões agrícolas.

A entidade também defende a continuidade de uma agenda específica para agricultura e segurança alimentar. O objetivo é evitar soluções únicas de sustentabilidade e reconhecer práticas que combinem produtividade, conservação e resiliência climática.

Imagem

Por que importa para o agro

Para o produtor, a principal discussão é transformar compromissos ambientais em instrumentos acessíveis. A CNA cita crédito com condições adequadas, seguro rural, assistência técnica, pesquisa, transferência de tecnologia e capacitação como bases para a adaptação no campo.

O documento propõe ainda valorizar economicamente os recursos naturais preservados dentro das propriedades. A conservação poderia gerar remuneração ou acesso a mecanismos de financiamento, sem reduzir o potencial produtivo das áreas privadas.

A posição também busca reduzir riscos comerciais. A CNA defende que exigências ambientais no comércio internacional sejam baseadas em ciência, dados consistentes e inventários nacionais precisos, evitando barreiras que desconsiderem a realidade da produção tropical.

Dados e contexto

A COP31 será realizada em Antalya, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro. O documento da CNA reúne oito eixos de atuação para as negociações climáticas:

  • Financiamento climático direcionado ao campo.
  • Valorização da conservação de recursos naturais.
  • Agricultura e segurança alimentar nas negociações.
  • Adaptação dos sistemas produtivos às mudanças climáticas.
  • Mitigação e remuneração por resultados já alcançados.
  • Transição justa para uma economia de baixo carbono.
  • Ampliação de biocombustíveis e energias renováveis.
  • Comércio internacional sem barreiras ambientais desproporcionais.
A CNA também defende avaliações do cumprimento do Acordo de Paris baseadas em ciência robusta e inventários nacionais cada vez mais precisos. A proposta inclui reconhecer diferentes formas de produção e ampliar a cooperação internacional.

Na prática, a agenda se conecta a políticas brasileiras de recuperação de áreas degradadas, agricultura de baixo carbono e financiamento rural. A efetividade dependerá da integração entre governo, instituições de pesquisa, agentes financeiros e produtores.

O que observar daqui pra frente

O principal ponto será verificar se as negociações avançarão de compromissos gerais para mecanismos aplicáveis no campo. Linhas de crédito, seguro, assistência técnica e pagamentos por resultados podem criar oportunidades, mas exigirão regras simples, medição confiável e acesso para produtores de diferentes escalas. Também será necessário acompanhar novas exigências ambientais sobre as exportações brasileiras.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo