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CNPE vai votar aumento da mistura de etanol na gasolina para 32%

Conselho Nacional de Política Energética marcou para 24 de junho a votação que pode elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, com impacto direto sobre usinas e produtores de cana.

16 de junho de 2026 4 min de leitura
CNPE vai votar aumento da mistura de etanol na gasolina para 32%

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) marcou para 24 de junho a reunião que deve votar o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A medida é defendida pelo governo como forma de reduzir a importação de gasolina, dar mais previsibilidade ao setor sucroenergético e ampliar o uso de biocombustíveis na matriz de transportes.

O que aconteceu

O Ministério de Minas e Energia confirmou que o CNPE terá na pauta a proposta de elevar em 2 pontos percentuais a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina tipo C.[9][1] A votação é vista pelo governo como etapa seguinte ao avanço recente do teor de etanol, que já havia subido de 27% para 30% em 2025.[4]

Segundo o ministro Alexandre Silveira, a medida tem caráter excepcional e temporário, com vigência inicial prevista de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período por decisão do próprio conselho.[3] A ideia é testar os efeitos sobre oferta, preços, logística e desempenho da frota.

O ministro também destacou que, com o aumento de apenas 2 pontos percentuais na mistura, cerca de 454 milhões de litros de gasolina deixarão de ser importados, abrindo espaço para mais etanol produzido internamente.[9] O tema vem sendo tratado em alinhamento com a política de transição energética e com metas ambientais assumidas pelo Brasil.

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Por que importa para o agro

Para usinas e produtores de cana-de-açúcar, a mudança amplia a demanda por etanol anidro, justamente o produto usado na mistura com a gasolina. Mesmo um ajuste de 2 pontos percentuais, em um mercado de grande volume, representa milhões de litros adicionais, ajudando a escoar a safra e a melhorar a utilização da capacidade industrial.

O aumento da mistura também tende a fortalecer a sinalização de longo prazo para o setor sucroenergético, que investe em renovação de canaviais, eficiência industrial e novas plantas de etanol. Uma regra mais favorável de mistura reduz a dependência exclusiva do açúcar, diversifica receitas e pode dar suporte a preços mais firmes ao produtor.

Dados e contexto

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de cana, açúcar e etanol, com forte participação de estados como São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A cada safra, decisões sobre mistura influenciam o balanço entre etanol e açúcar nas usinas.

Em 2025, o CNPE aprovou o aumento da mistura de etanol na gasolina de 27% para 30% (E30), medida que entrou em vigor em 1º de agosto daquele ano.[4] Agora, discute-se novo avanço para 32%, ainda com caráter temporário.[1][3]

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o incremento de 30% para 32% deverá:

  • Reduzir a importação de gasolina em cerca de 454 milhões de litros.[9]
  • Elevar a participação de biocombustíveis na matriz de transporte leve.
  • Aumentar a demanda interna por etanol anidro, com reflexo direto sobre o setor de cana.
Uma síntese dos percentuais recentes de mistura:
Período aproximadoMistura de etanol anidro na gasolina
Até meados de 2025**27%**
Após 24/06/2025 (E30)**30%**[4]
Proposta em votação**32%**[1][3][9]

Essa discussão ocorre em paralelo a outras agendas de biocombustíveis, como o aumento gradual da mistura de biodiesel no diesel no âmbito do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, e a consolidação do RenovaBio, política que estabelece metas de descarbonização para distribuidores de combustíveis.

O que observar daqui pra frente

O produtor rural deve acompanhar a decisão do CNPE e, em seguida, a eventual regulamentação pelo Ministério de Minas e Energia e pela ANP, que definirá prazos e regras de transição. Se a medida for aprovada, o efeito prático virá na forma de maior demanda por etanol anidro, possível suporte a preços na entressafra e estímulo adicional a investimentos em cana e em eficiência industrial, mas também exigirá atenção a custos de produção e à concorrência com o açúcar no mix das usinas.

Fontes

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