Mercado

Colheita de arábica no Cerrado Mineiro atinge 27% e qualidade anima cooperados

Expocaccer aponta colheita de 27% do arábica no Cerrado Mineiro, com boa qualidade dos grãos e preocupação com chuvas e ritmo das entregas.

29 de junho de 2026 4 min de leitura
Colheita de arábica no Cerrado Mineiro atinge 27% e qualidade anima cooperados

A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro alcançou 27% da safra estimada, segundo levantamento da Expocaccer. O avanço ocorre em ritmo considerado dentro da normalidade, com relatos de boa qualidade dos grãos, mas sob atenção às chuvas e ao impacto na secagem e na logística de entrega dos lotes.

O que aconteceu

A Expocaccer informou que a colheita de arábica na região do Cerrado Mineiro avançou para cerca de um quarto da produção prevista, com máquinas e equipes operando de forma contínua nas principais áreas produtoras. O ritmo é semelhante ao registrado em anos anteriores, mesmo com episódios recentes de chuva que interromperam operações em alguns momentos.

Cooperados relatam bom enchimento de grãos e peneiras adequadas, o que favorece a formação de lotes de maior valor agregado. A preocupação maior está na janela de colheita e secagem, já que dias úmidos podem alongar o período de terreiro ou exigir mais uso de secadores mecânicos, elevando custos.

Imagem

Por que importa para o agro

O desempenho do Cerrado Mineiro é referência para o café arábica de qualidade do Brasil e influencia expectativas de oferta interna e exportações. Um avanço de colheita com boa qualidade tende a sustentar a competitividade do café brasileiro em mercados que pagam prêmio por bebida, rastreabilidade e certificações.

Para o produtor, o ritmo atual reduz risco de atrasos que poderiam concentrar muita oferta em um curto espaço de tempo e pressionar preços locais. Ao mesmo tempo, o clima mais úmido pode elevar custos de pós-colheita e exigir decisões mais precisas sobre momento de vender, armazenar ou segregar lotes especiais.

Dados e contexto

A região do Cerrado Mineiro é reconhecida como a primeira Denominação de Origem (DO) para café no Brasil, com governança da Federação dos Cafeicultores do Cerrado e forte presença de cooperativas como a Expocaccer e a Cooxupé.[3]

Segundo a Conab, Minas Gerais responde historicamente por mais de 50% da produção brasileira de café arábica, e o Cerrado Mineiro é um dos polos de maior tecnologia na colheita mecanizada.[3] Em anos recentes, a região tem atuado como termômetro de qualidade e de disponibilidade de café tipo exportação.

No front global, dados do USDA e da Conab indicam que o Brasil permanece como maior produtor e exportador de café do mundo, alternando entre ciclos de maior e menor produção conforme o bienalidade da cultura e as condições climáticas. Em 2025, consultorias privadas como Safras & Mercado estimam colheita brasileira total em torno de 63 milhões de sacas, somando arábica e canéfora.[2]

Esses volumes, somados à safra do Cerrado Mineiro, influenciam diretamente:

  • formação de preços internos em reais
  • diferenciais pagos por qualidade na Bolsa de Nova York
  • competitividade frente a origens como Colômbia, Vietnã e América Central
Para o produtor da região, a combinação de DO, rastreabilidade e boa qualidade abre espaço para contratos diferenciados com torrefadoras e cafeterias de cafés especiais, inclusive no mercado interno.

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos dependem do comportamento do clima, da manutenção da qualidade dos lotes e do ritmo de entrega às cooperativas. Produtores e compradores devem acompanhar o avanço da colheita nas demais regiões de Minas Gerais e no restante do país, a evolução dos estoques e o movimento da Bolsa de Nova York, identificando oportunidades de travar preços, segregar microlotes de maior valor e ajustar o planejamento de colheita e secagem para preservar qualidade e margem.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo