Mercado

Colheita de café arábica avança com atraso e qualidade em queda

Safra 2026/27 de café arábica entra na reta final com atraso na colheita e expectativa de uma das piores qualidades dos últimos anos.

27 de agosto de 2026 4 min de leitura
Colheita de café arábica avança com atraso e qualidade em queda

A colheita de café arábica da safra 2026/27 caminha para o fim no Brasil, mas com atraso em relação ao ano passado e forte preocupação com a qualidade dos grãos. Chuvas acima da média durante o inverno atrasaram os trabalhos, aumentaram a umidade nas lavouras e elevaram a incidência de cafés de bebida inferior, pressionando renda e contratos dos produtores.[1][2][4]

O que aconteceu

Nas principais regiões produtoras, o arábica já superou a marca de 90% colhido, mas ainda abaixo do ritmo visto em 2025 e da média dos últimos anos.[5][8] Consultorias e o Cepea indicam que, em momentos da safra, a colheita de arábica chegou a ficar mais de 10 pontos percentuais atrás do mesmo período anterior.[4][8]

O atraso está diretamente ligado às chuvas fora de época e à umidade elevada durante o inverno. Esse cenário dificultou a entrada de máquinas, alongou o tempo de secagem e obrigou muitos produtores a interromper a colheita em dias seguidos, encarecendo a operação.[1][2][4]

O excesso de umidade também afetou a qualidade. Pesquisadores relatam maior volume de cafés com peneira menor e bebida inferior, além de lotes mais heterogêneos, o que reduz a proporção de cafés finos e especiais na safra 2026/27.[1][2][11]

Imagem

Por que importa para o agro

A piora da qualidade reduz o preço médio recebido pelo produtor e limita o acesso a nichos de maior valor, como cafés especiais e contratos premium de exportação. Em alguns casos, a classificação abaixo do esperado pode impedir o cumprimento de contratos já fechados, exigindo renegociações ou descontos adicionais.[7][11][13]

Com mais grãos pequenos e de bebida inferior, o custo por saca aumenta. Produtores precisam de mais volume para fechar uma saca padrão, gastam mais em beneficiamento e segregação de lotes e enfrentam maior risco de rejeição em armazéns, cooperativas e exportadores. Em um cenário de custos altos e margens apertadas, qualquer perda de padrão pesa direto no caixa.

Dados e contexto

  • A colheita de arábica chegou a cerca de 54% a 69% em meados de julho, abaixo dos 67% a 85% registrados em igual período de 2025 e da média histórica.[4][8]
  • Em alguns levantamentos, a colheita total de café no Brasil estava em 78%, com o arábica puxando o atraso devido à maior sensibilidade às chuvas.[4]
  • Levantamento do Cepea aponta que a safra 2026/27 tende a ser uma das piores dos últimos anos em qualidade, com alta incidência de cafés de bebida inferior.[1][2]
  • Classificadores relatam queda na participação de grãos com peneira 17/18, padrão desejado pela indústria, e aumento de grãos menores, o que exige mais café para encher a mesma saca.[11][13]
  • Em anos de excesso de chuva na colheita, já houve relatos de grãos caindo no solo e fermentando, com impacto direto na bebida e no cumprimento de contratos futuros.[7][15]
Indicador (arábica)Situação 2026/27 vs. 2025

| Percentual colhido em julho | Atrasado | | Umidade na colheita | Acima da média | | Peneira 17/18 | Menor participação | | Qualidade média da bebida | Inferior | | Risco de problemas em contratos | Elevado |

Instituições como Cepea/Esalq, consultorias privadas e cooperativas de café confirmam o quadro de atraso e perda de padrão, reforçando a necessidade de manejo mais rigoroso de colheita, secagem e armazenagem nesta reta final de safra.[1][2][4][11]

O que observar daqui pra frente

Produtores e mercado devem acompanhar a evolução da qualidade dos últimos lotes colhidos, o comportamento dos descontos por peneira e bebida e possíveis revisões de contratos, especialmente no mercado externo. Um clima mais seco na reta final pode reduzir danos, mas a safra já indica menor proporção de cafés de alta qualidade, o que tende a sustentar prêmios para lotes bem classificados e aumentar a disputa por café fino entre exportadores e indústria.

Fontes

}
Compartilhar:

Continue lendo