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Colheita de café avança devagar e atinge 9% da safra no Brasil

Colheita de café 2024/25 chega a 9% da safra, abaixo de anos anteriores, com foco maior no arábica e impacto direto na oferta e nas cotações.

23 de maio de 2026 4 min de leitura
Colheita de café avança devagar e atinge 9% da safra no Brasil

A colheita de café no Brasil chegou a 9% da safra 2024/25, segundo consultoria privada, com avanço lento frente a anos anteriores. O foco está no arábica, ainda no início, o que mantém atenção sobre a oferta do maior produtor mundial e pode influenciar as cotações internas e externas nas próximas semanas.

O que aconteceu

Levantamento de consultoria especializado em café indica que 9% da produção brasileira já foi colhida, somando arábica e conilon. O ritmo é inferior ao observado em igual período do ano passado e também abaixo da média dos últimos anos para esta época.

O avanço maior ocorre no café conilon (robusta), concentrado no Espírito Santo, Rondônia e parte da Bahia, onde o clima mais seco favoreceu os trabalhos. No arábica, principal tipo exportado pelo Brasil, a colheita anda mais devagar, com produtores aguardando melhor maturação dos frutos para tentar garantir peneira maior e bebida de melhor qualidade.

Consultorias de mercado apontam que o atraso relativo está ligado a condições climáticas irregulares em algumas regiões produtoras, com chuvas em momentos pontuais atrapalhando a entrada das máquinas e o uso de derriçadoras. Ainda assim, a expectativa é de aceleração do ritmo a partir de junho, com clima mais firme nas principais origens.

Por que importa para o agro

O andamento da colheita é decisivo para formação de preços no mercado físico e na bolsa. Quando o ritmo é lento, parte dos compradores posterga negócios, à espera de maior oferta, enquanto alguns produtores seguram as vendas aguardando cotações melhores, o que pode reduzir a liquidez no curto prazo.

Para o produtor, o atraso relativo aumenta a pressão sobre logística e mão de obra em um período mais curto de colheita. Também pode elevar custos com operações concentradas em menos dias e com necessidade de mais equipes. Por outro lado, a colheita mais tardia, se acompanhada de clima adequado, tende a favorecer a qualidade, o que abre espaço para prêmios em cafés especiais e diferenciação por bebida.

Dados e contexto

Segundo a Conab, o Brasil deve colher algo entre 58 e 60 milhões de sacas de café em 2024, somando arábica e conilon, em linha com um ciclo de recuperação após anos marcados por seca e geadas em algumas regiões. Consultorias privadas trabalham com números semelhantes ou ligeiramente acima, dependendo do cenário de produtividade.

O país responde por cerca de 35% da produção mundial, conforme estimativas do USDA, o que torna qualquer mudança no ritmo da colheita relevante para o mercado internacional. No arábica, o Brasil é o maior fornecedor global; no conilon, disputa espaço com Vietnã e outros países asiáticos.

Comparando com anos recentes, o atual nível de 9% colhido indica atraso quando confrontado com safras em que, nesta mesma fase, a colheita já passava de dois dígitos altos em percentual. Mesmo assim, analistas lembram que o calendário pode variar bastante de acordo com o regime de chuvas e o perfil das lavouras em cada região.

A Conab aponta que Minas Gerais concentra mais da metade da produção de arábica do país, seguido por São Paulo, Espírito Santo e Bahia. Já no conilon, Espírito Santo lidera com folga, seguido por Rondônia e Bahia. O comportamento de clima nestes estados tende a ditar se o atraso atual será compensado nas próximas semanas.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar de perto as previsões de clima, janelas de tempo seco e a evolução das cotações internas e na bolsa de Nova York para arábica e Londres para robusta. Uma eventual aceleração rápida da colheita, combinada com boa produtividade, pode pressionar preços no curto prazo, enquanto qualquer novo atraso ou problema climático em fase de colheita pode sustentar prêmios e abrir oportunidades de travamento de preços para quem tem custos bem definidos.

Fontes

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