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Colheita do trigo no Paraná chega a 82%, mas qualidade preocupa

Avanço da colheita do trigo no Paraná é acompanhado por perdas de qualidade causadas pelo excesso de umidade nas lavouras.

21 de outubro de 2026 3 min de leitura
Colheita do trigo no Paraná chega a 82%, mas qualidade preocupa

A colheita do trigo no Paraná alcançou 82% da área, mas o excesso de chuvas interfere no resultado da safra. A umidade prolongada aumenta o risco de doenças nas espigas, reduz a qualidade dos grãos e pode limitar o uso do cereal pela indústria de panificação.

O que aconteceu

As chuvas dificultaram a entrada de máquinas no campo e atrasaram a retirada das lavouras restantes. Parte do trigo permanece exposta à umidade, condição que favorece a deterioração dos grãos e perdas no padrão comercial.

Os principais indicadores afetados são o peso hectolítrico (PH) e o Falling Number, também chamado de Número de Queda. Esses parâmetros ajudam a definir a classificação do trigo, o destino industrial e o preço recebido pelo produtor.

Quando os índices ficam abaixo dos padrões exigidos, o cereal pode deixar de atender à fabricação de farinha para panificação. Nessa situação, o produto tende a ser direcionado para usos de menor remuneração, como ração ou misturas industriais.

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Por que importa para o agro

A perda de qualidade reduz a receita por tonelada mesmo quando o volume produzido permanece próximo da expectativa. O produtor pode enfrentar descontos na entrega, necessidade de secagem e custos adicionais de armazenagem e segregação dos lotes.

Para moinhos e indústrias, a menor oferta de trigo com qualidade adequada aumenta a necessidade de misturas entre lotes, compras em outras regiões ou importações. O impacto pode chegar ao preço da farinha e elevar a pressão sobre toda a cadeia de panificação.

A situação também reforça a importância do planejamento da colheita. A retirada rápida das lavouras maduras, o monitoramento da umidade e a separação dos grãos por qualidade ajudam a reduzir perdas comerciais.

Dados e contexto

O Paraná está entre os principais produtores de trigo do país e tem forte participação no abastecimento da indústria moageira. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura do Paraná, são usados para acompanhar o avanço da colheita e as condições das lavouras.

IndicadorSituação observada
Área colhida82%
Principal riscoExcesso de umidade
Indicadores afetadosPH e Falling Number
Possível consequênciaDesconto e mudança de destino industrial

O PH indica a densidade e o rendimento potencial do lote. Já o Falling Number ajuda a avaliar a atividade enzimática do grão, fator relacionado ao comportamento da farinha durante a produção de pães. Resultados baixos podem indicar germinação pré-colheita e comprometer a panificação.

A Conab acompanha a produção, a área plantada e a produtividade do trigo em seus levantamentos de safra. No mercado, a disponibilidade de cereal de boa qualidade costuma ser mais relevante do que o volume total para a formação dos preços pagos ao produtor.

O que observar daqui pra frente

A prioridade é concluir a colheita assim que houver janela de tempo e medir a umidade de cada lote antes da armazenagem. Produtores devem separar cargas com padrões diferentes, acompanhar descontos das cerealistas e preservar os resultados de PH e Falling Number para negociar o destino mais adequado do cereal.

Fontes

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