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Colheita intensa de cana em SP puxa trabalho em três turnos

Usinas da região de São José do Rio Preto operam 24 horas na colheita da cana, impulsionadas por safra acima da expectativa e produtividade favorecida pelas chuvas.

02 de agosto de 2026 4 min de leitura
Colheita intensa de cana em SP puxa trabalho em três turnos

Os canaviais da região de São José do Rio Preto (SP) vivem um pico de colheita, com usinas operando em três turnos, 24 horas por dia, para dar conta de uma safra acima do esperado.[1] A combinação de chuvas bem distribuídas e boa produtividade elevou o volume de cana disponível, exigindo mais máquinas, equipes e logística para garantir o fluxo de moagem e abastecer os mercados de açúcar e etanol.[1]

O que aconteceu

Usinas e propriedades rurais do interior paulista estão em regime de colheita contínua, sem interrupção, para aproveitar o ponto ideal de corte da cana e evitar perdas de qualidade.[1] O manejo diário inclui planejamento de frentes de colheita, transporte rápido até a indústria e manutenção constante dos equipamentos, já que a parada de uma colhedora impacta toda a linha de produção.

Em Tabapuã (SP), uma usina com mais de 70 anos de operação bateu recorde de produção, com expectativa de moer 14 mil toneladas de cana por dia.[1] A empresa organiza 340 funcionários em três turnos, cobrindo todas as atividades, da colheita mecanizada à recepção na moenda.[1] O clima favorável, com chuva em volume e frequência adequados, ajudou a elevar a produtividade e a recuperar parte das perdas vistas em safras anteriores na região.[1][13]

O bom desempenho local contrasta com a tendência nacional de leve queda de produção em 2025/26, estimada em 663,4 milhões de toneladas, recuo de cerca de 2% sobre a safra anterior, segundo a Conab.[6][17] No estado de São Paulo, apesar dos impactos recentes de seca e calor em algumas regiões, o interior noroeste consegue tirar proveito de uma janela de clima mais regular.[16]

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Por que importa para o agro

A operação em três turnos mostra como o setor canavieiro depende de escala e regularidade para manter competitividade em açúcar e etanol. Quando há mais cana disponível no ponto certo, a usina precisa girar perto da capacidade máxima de moagem, sob risco de deixar matéria-prima no campo ou perder teor de sacarose, o que reduz receita por hectare.[9]

Para o produtor, uma safra forte em região-chave de São Paulo ajuda a equilibrar o quadro nacional de oferta em um cenário de previsões de queda em outras áreas afetadas por estiagens e calor.[16][17] Ao mesmo tempo, altos volumes exigem atenção de quem fornece cana às usinas: janela de colheita, qualidade da matéria-prima e eficiência logística passam a ser tão importantes quanto o TCH (tonelada de cana por hectare).

Dados e contexto

Segundo levantamento da Conab, a safra brasileira de cana 2025/26 é estimada em 663,4 milhões de toneladas, cerca de 2% abaixo da anterior.[6][17]

Já a primeira estimativa para a produção de cana na região Centro-Sul indica 56,3 milhões de toneladas, com crescimento de 3,6% sobre a última safra e produtividade média projetada em 61.502 kg/ha.[6] A região Sudeste deve colher cerca de 420 milhões de toneladas, com queda de 4% em comparação a 2024, puxada principalmente pela redução em São Paulo.[16]

Em usina da região de Rio Preto, a meta de moagem diária é de 14 mil toneladas, apoiada em três turnos e 340 funcionários, o que mostra o peso da mão de obra organizada para sustentar operações 24/7.[1] A mecanização praticamente total da colheita na região segue a tendência descrita por estudos sobre o setor, que relatam a adoção de escalas de trabalho específicas para colhedoras e equipes de apoio.[2][12]

IndicadorValor / Situação

| Produção Brasil 2025/26 | 663,4 mi t (−2% vs safra anterior)[6] | | Prod. estimada Centro-Sul | 56,3 mi t (+3,6% vs anterior)[6] | | Prod. Sudeste 2025/26 | 420 mi t (−4% vs 2024)[16] | | Moagem diária – usina SP | 14 mil t/dia[1] | | Funcionários – usina Tabapuã | 340 pessoas em 3 turnos[1] |

Esse quadro reforça o papel de São Paulo, maior polo canavieiro do país, como referência de produtividade e organização industrial, mesmo com as oscilações climáticas recentes.[16][18]

O que observar daqui pra frente

Produtores e usinas precisam acompanhar de perto a evolução do clima, a manutenção da capacidade de moagem e a oferta de mão de obra qualificada para sustentar a operação em três turnos. Sinais de mudança na produtividade, nos custos de mecanização e na demanda por açúcar e etanol vão definir se o regime 24 horas se mantém como padrão ou se será ajustado conforme margens e disponibilidade de cana.

Fontes

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