Sustentabilidade

Conabio prorroga por seis meses debate sobre espécies invasoras

Grupo de trabalho terá mais 180 dias para revisar critérios e avaliar impactos da lista nacional de espécies exóticas invasoras.

01 de outubro de 2026 4 min de leitura
Conabio prorroga por seis meses debate sobre espécies invasoras

A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) prorrogou por mais 180 dias o prazo para concluir a revisão da lista nacional de espécies exóticas invasoras. A decisão adia a definição dos critérios que podem afetar atividades como piscicultura, silvicultura e fruticultura.

O que aconteceu

O grupo de trabalho tinha prazo inicial de 90 dias, previsto pela Resolução Conabio nº 16, de 28 de maio de 2026. Como não conseguiu concluir a análise até o fim do período, a comissão aprovou a extensão durante a 24ª Reunião Extraordinária.

A revisão envolve a proposta de duas listas nacionais: uma para espécies exóticas invasoras presentes no Brasil e outra para espécies com potencial de invasão. Entre os exemplos citados nos debates estão a tilápia, o pinus, o eucalipto, a manga, a goiaba e a jaca.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) afirma que a classificação tem caráter técnico e preventivo. Segundo a pasta, a inclusão de uma espécie não representa, por si só, banimento, proibição de cultivo ou interrupção do uso econômico.

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Por que importa para o agro

A definição da lista pode orientar regras de prevenção, monitoramento, transporte, criação e controle ambiental. Na prática, uma regulamentação mais restritiva pode elevar custos de adequação e fiscalização para produtores, viveiros, piscicultores e empresas florestais.

A tilápia concentra parte da preocupação do setor aquícola. A espécie é amplamente produzida no país, mas a eventual classificação como invasora gera dúvidas sobre licenciamento, expansão de criatórios e manejo de escapes. No setor florestal, a discussão também alcança espécies plantadas em larga escala, como pinus e eucalipto.

A demora na conclusão mantém o cenário regulatório indefinido. Por outro lado, o novo prazo permite ampliar a participação de setores produtivos, pesquisadores, órgãos ambientais e representantes de governos estaduais e municipais antes de uma decisão final.

Dados e contexto

  • 180 dias: prazo adicional concedido ao grupo de trabalho.
  • 90 dias: período inicialmente previsto para a revisão.
  • 12 ministérios e instituições: composição ampliada da Conabio, segundo o MMA.
  • 2018: ano em que a Conabio aprovou a Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras por meio da Resolução nº 7.
A estratégia nacional prevê prevenção, detecção precoce, resposta rápida, controle e monitoramento de espécies capazes de ameaçar ecossistemas, habitats ou espécies nativas. O MMA coordena instrumentos públicos relacionados ao tema.

A Conabio reúne representantes do governo, setores produtivos, órgãos ambientais, universidades, institutos de pesquisa, agricultura familiar, povos indígenas e comunidades tradicionais. A participação desses grupos é relevante para avaliar riscos ambientais sem desconsiderar a viabilidade econômica das cadeias afetadas.

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar a publicação dos critérios técnicos, a composição definitiva das listas e eventuais medidas de controle associadas. Produtores e empresas podem organizar registros de origem, licenças, protocolos de contenção e procedimentos para evitar escapes ou dispersão, reduzindo riscos caso novas exigências sejam adotadas.

Fontes

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