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Concurso busca ampliar reconhecimento dos cafés canéforas brasileiros

Concurso internacional reúne cafés robusta e conilon para ampliar o reconhecimento e o valor dos canéforas brasileiros no mercado externo.

25 de setembro de 2026 4 min de leitura
Concurso busca ampliar reconhecimento dos cafés canéforas brasileiros

O Brasil lançou um concurso internacional para promover os cafés especiais da espécie canéfora, que reúne as variedades robusta e conilon. A iniciativa pretende melhorar a percepção do produto brasileiro no exterior, abrir espaço para lotes de maior valor e aproximar produtores de compradores especializados.

O que aconteceu

O concurso The Best of Canephora Brazil 2026 é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A ação integra o projeto Brazil. The Coffee Nation.

A seleção ocorre em duas etapas. Primeiro, provadores brasileiros avaliaram as amostras e escolheram os lotes finalistas. Depois, juízes internacionais e compradores ligados a torrefações especializadas farão uma nova análise, prevista para ocorrer entre 24 e 27 de novembro.

A etapa nacional selecionou 25 amostras de cafés robusta e conilon. Os dez melhores lotes, desde que alcancem pelo menos 83 pontos em uma escala de 100, poderão participar do leilão internacional marcado para 29 de novembro, em Cacoal, Rondônia.

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Por que importa para o agro

O concurso tenta deslocar parte da comercialização do canéfora para o mercado de cafés especiais. Em vez de vender apenas pelo padrão de volume e preço de referência, o produtor passa a ter a possibilidade de ser remunerado por qualidade sensorial, rastreabilidade e diferenciação do lote.

A estratégia também pode fortalecer a imagem do robusta e do conilon brasileiros entre importadores e torrefadores. Isso favorece produtores que investem em genética, colheita seletiva, secagem, armazenamento e controle de fermentação, etapas que influenciam diretamente a qualidade final.

O impacto, porém, não será automático para toda a cadeia. A valorização dos cafés premiados depende de contratos, repetibilidade dos resultados e capacidade de manter padrões de qualidade em diferentes safras. O concurso funciona como vitrine, mas a consolidação exige oferta regular e compradores dispostos a pagar mais.

Dados e contexto

O canéfora responde por cerca de 30% da produção brasileira de café, segundo informação divulgada pelo Ministério da Agricultura com base em dados da Conab. Na safra 2022/23, a espécie ocupou quase 400 mil hectares e produziu aproximadamente 16,2 milhões de sacas beneficiadas.

Para 2026, a Conab estimou a produção brasileira de canéforas em 19,4 milhões de sacas de 60 quilos, queda de 6,6% em relação ao ciclo anterior. A retração foi associada às condições climáticas e ao efeito da bienalidade após uma safra recorde.

IndicadorInformação
Espécies avaliadasRobusta e conilon
Amostras finalistas25
Seleção para o leilãoAté 10 lotes
Nota mínima83 pontos
Leilão29 de novembro, em Cacoal (RO)
Preço mínimo divulgadoUS$ 9 por quilo

Embrapa aponta Espírito Santo, Rondônia, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso entre os principais estados produtores de conilon e robusta. O desempenho desses polos será decisivo para ampliar a oferta de cafés canéforas diferenciados.

O que observar daqui pra frente

O mercado deve acompanhar as notas dos lotes, a participação de compradores estrangeiros e os preços efetivamente alcançados no leilão. Para o produtor, as oportunidades estão na melhoria do pós-colheita e na organização para concursos e vendas rastreadas. O principal risco é a valorização ficar restrita a poucos lotes, sem alcançar a maior parte da produção.

Fontes

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