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Mercado sinaliza espaço para ampliar produção de algodão no Brasil

Melhores preços, produtividade e liquidez sustentam expectativa de alta na área plantada de algodão na safra 2026/27.

24 de setembro de 2026 4 min de leitura
Mercado sinaliza espaço para ampliar produção de algodão no Brasil

O mercado de algodão apresenta sinais positivos para a safra 2026/27. Preços acima de US$ 0,80 por libra-peso, maior liquidez nos contratos e bons resultados de produtividade aumentaram o interesse dos produtores. As projeções indicam expansão da área plantada e manutenção do Brasil como fornecedor relevante no comércio internacional.

O que aconteceu

Durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em Belo Horizonte, a Agroconsult estimou crescimento de aproximadamente 7% na área cultivada em 2026/27, para cerca de 2,22 milhões de hectares. A Abrapa trabalha com uma faixa mais ampla, entre 8% e 10%, dependendo do clima, da janela de plantio e das condições financeiras das fazendas.

André Pessôa, CEO da Agroconsult, afirmou que os fundamentos do mercado apontam para uma recuperação das margens do produtor. Além da valorização da pluma, a maior quantidade de contratos em aberto aumentou a liquidez e melhorou as condições de comercialização.

A expectativa de expansão também é apoiada pelo desempenho da safra 2025/26. Mesmo com redução da área em relação ao ciclo anterior, a produtividade compensou parte da retração e levou a produção brasileira a um patamar recorde, segundo dados apresentados no congresso.

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Por que importa para o agro

O algodão compete principalmente com soja e milho por área, capital e capacidade operacional. A recuperação das margens pode favorecer o cultivo em regiões onde a cultura apresenta produtividade elevada, especialmente no Mato Grosso e na Bahia. O avanço, porém, depende de uma implantação eficiente da soja e da manutenção de uma janela adequada para o algodão de segunda safra.

Para a cadeia, o aumento da oferta amplia o potencial exportador, mas também exige crescimento da demanda. A concorrência das fibras sintéticas continua pressionando o consumo de algodão. Por isso, produtores, indústria e entidades do setor defendem ações para promover a fibra natural e conquistar novos mercados.

Dados e contexto

  • Área projetada pela Agroconsult: cerca de 2,22 milhões de hectares em 2026/27, alta próxima de 7%.
  • Projeção da Abrapa: crescimento de 8% a 10% na área, condicionado ao clima e às decisões dos produtores.
  • Produção estimada pela Agroconsult: aproximadamente 4,41 milhões de toneladas de pluma.
  • Preço citado no congresso: acima de US$ 0,80 por libra-peso.
  • Principais polos: Mato Grosso, com mais de 1,5 milhão de hectares projetados, e Bahia, com área superior a 400 mil hectares.
A Conab apontou produção recorde próxima de 4,1 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26, com área ao redor de 2 milhões de hectares. O resultado mostra o efeito combinado de tecnologia, manejo e produtividade sobre a oferta nacional.

O Brasil também amplia sua presença no comércio global. As exportações devem alcançar novo recorde na próxima temporada, mas o ritmo dependerá dos preços internacionais, do câmbio e da demanda da indústria têxtil.

O que observar daqui pra frente

A confirmação do crescimento dependerá do custo dos insumos, da disponibilidade de crédito, da comercialização antecipada e do clima. O produtor deve comparar a margem do algodão com soja e milho, avaliar a capacidade de colheita e monitorar a janela deixada pela soja. A oportunidade existe, mas a expansão precisa ocorrer em áreas de alto potencial produtivo e com controle rigoroso dos custos.

Fontes

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