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Biocombustíveis ampliam demanda por soja e milho no Brasil

A expansão do biodiesel e do etanol de milho cria novas oportunidades para os grãos, mas aumenta a disputa por matéria-prima e exige planejamento.

24 de setembro de 2026 4 min de leitura
Biocombustíveis ampliam demanda por soja e milho no Brasil

O avanço da mistura de biodiesel e etanol na matriz brasileira está mudando o destino da soja e do milho. A indústria de combustíveis passa a disputar mais matéria-prima com exportadores, fábricas de ração e outros segmentos. Para o agro, o movimento abre espaço para agregar valor dentro do país, mas exige aumento de produtividade, processamento e capacidade de armazenagem.

O que aconteceu

A expansão dos biocombustíveis ganhou força com políticas públicas que ampliam a mistura obrigatória de combustíveis renováveis. Desde agosto de 2025, o Brasil opera com B15, percentual de 15% de biodiesel no diesel, e E30, com 30% de etanol na gasolina. A Lei do Combustível do Futuro também prevê o avanço gradual do biodiesel até 20% no diesel em 2030.

O biodiesel utiliza principalmente óleo de soja. Com o aumento da demanda, cresce a necessidade de esmagar mais soja no Brasil, em vez de exportar o grão sem processamento. O resultado é maior oferta de óleo para energia e de farelo para alimentação animal.

No milho, a expansão ocorre por meio das usinas de etanol. O processamento transforma o cereal em combustível e gera coprodutos, como o DDGS, usado parcialmente em rações. A atividade cria uma nova fonte de consumo interno, sobretudo em regiões produtoras próximas às plantas industriais.

Por que importa para o agro

Para o produtor de soja, o biodiesel cria uma demanda doméstica menos dependente do câmbio e do ritmo das exportações. O aumento do esmagamento pode fortalecer a indústria nacional e ampliar o valor capturado pela cadeia. Também pode estimular investimentos em armazenagem, transporte e plantas de processamento.

No milho, o etanol reduz a dependência das vendas externas e diversifica os compradores. Porém, a indústria passa a concorrer pelo cereal usado na alimentação de aves, suínos e bovinos. O DDGS ajuda a compensar essa disputa, mas sua disponibilidade, preço, qualidade e logística precisam ser considerados na formulação das rações.

Dados e contexto

  • A produção de etanol de milho alcançou 8,2 bilhões de litros em 2024/25, segundo dados divulgados pelo Canal Rural, e pode chegar a 10 bilhões de litros em 2025/26.
  • O etanol de milho já representa cerca de 23% do etanol nacional.
  • A Abiove estima que o biodiesel consumiria 6,87 milhões de toneladas de óleo de soja em 2025, alta de 10% em relação ao ano anterior.
  • Cerca de 23,8% da soja brasileira é destinada à produção de biodiesel, conforme informações apresentadas em discussões sobre a política de biocombustíveis.
  • Estudo citado pelo Canal Rural estima que o esmagamento de soja poderia chegar a aproximadamente 69 milhões de toneladas com a mistura B20. A produção de farelo aumentaria em cerca de 5 milhões de toneladas em relação ao volume estimado para 2025.
  • A Conab projetou, para a safra 2026/27, produção de 181,64 milhões de toneladas de soja e 148 milhões de toneladas de milho.
O impacto sobre preços não será automático. A expansão da demanda pode sustentar prêmios e melhorar a liquidez em algumas regiões, mas custos de frete, oferta global, estoques e capacidade industrial continuarão determinando a formação das cotações.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar novas metas de mistura, investimentos em usinas e margens de esmagamento. No milho, será decisivo medir a concorrência entre combustível e ração, além do valor do DDGS. Na soja, a expansão do processamento interno pode aumentar a demanda por grão, mas também exige planejamento para armazenar óleo e farelo. A oportunidade será maior para regiões com produção, logística e indústria integradas.

Fontes

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