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Brasil pode reduzir importação de fertilizantes em até 12% em 2026

Importações devem cair para até 41 milhões de toneladas, mesmo com aumento da área cultivada na safra 2026/27.

24 de setembro de 2026 3 min de leitura
Brasil pode reduzir importação de fertilizantes em até 12% em 2026

O Brasil deve importar entre 40 milhões e 41 milhões de toneladas de fertilizantes em 2026, segundo projeção divulgada pelo Canal Rural. O volume representa uma queda superior a 10% em relação ao recorde de 45,5 milhões de toneladas registrado em 2025. A retração ocorre mesmo com a expectativa de aumento da área cultivada na safra 2026/27.

O que aconteceu

A redução projetada acompanha o ritmo das compras externas observado ao longo de 2026. No primeiro semestre, o país importou 17,69 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, 4,2% abaixo do volume registrado no mesmo período de 2025, quando foram adquiridas 18,47 milhões de toneladas.

As entregas ao mercado interno também recuaram. De janeiro a junho, foram comercializados 19,02 milhões de toneladas, queda de 5,4% sobre os 20,11 milhões de toneladas entregues no primeiro semestre do ano anterior, de acordo com dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

O movimento ocorre após um ano de forte abastecimento. Em 2025, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas, maior volume da série histórica, enquanto as entregas alcançaram 49,11 milhões de toneladas, também um recorde para o setor.

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Por que importa para o agro

A queda nas importações não significa, necessariamente, menor disponibilidade de fertilizantes para as lavouras. Parte do recuo pode refletir a redução de estoques formados em 2025, além de compras mais ajustadas ao calendário de aplicação e às decisões de plantio dos produtores.

Para o agricultor, o principal efeito está na formação de preços e no risco de abastecimento. O Brasil ainda depende fortemente do mercado externo, especialmente para nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio. Uma redução das compras pode aliviar custos logísticos e financeiros, mas também aumenta a exposição a eventuais problemas de oferta internacional.

A demanda tende a continuar elevada. O avanço da área plantada e a necessidade de reposição de nutrientes mantêm o consumo estrutural aquecido, mesmo quando as importações variam de um ano para outro.

Dados e contexto

IndicadorVolume ou variação
Importações estimadas em 202640 milhões a 41 milhões de toneladas
Importações em 202545,5 milhões de toneladas
Importações no 1º semestre de 202617,69 milhões de toneladas
Variação das importações no semestre-4,2%
Entregas no 1º semestre de 202619,02 milhões de toneladas
Variação das entregas no semestre-5,4%

O Plano Nacional de Fertilizantes busca elevar gradualmente a produção doméstica e reduzir a dependência externa até 2050. A meta prevê que a produção brasileira passe a atender entre 45% e 50% da demanda interna, contra cerca de 15% atualmente. A estratégia inclui investimentos em nitrogenados, novas plantas industriais e aproveitamento de recursos minerais.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a evolução da safra 2026/27, os preços internacionais, o câmbio e os custos de frete. Também será necessário observar a disponibilidade nos portos e o avanço dos projetos de produção nacional. Para o produtor, planejamento de compras, análise do solo e uso mais eficiente dos nutrientes podem reduzir a exposição à volatilidade dos preços.

Fontes

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