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Milei critica a ONU e cobra negociação sobre as Malvinas

Presidente argentino questionou a atuação da ONU, criticou medidas adotadas na pandemia e voltou a reivindicar soberania sobre as Malvinas.

24 de setembro de 2026 4 min de leitura
Milei critica a ONU e cobra negociação sobre as Malvinas

O presidente da Argentina, Javier Milei, criticou a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) durante discurso na Assembleia Geral, em Nova York. Ele citou a disputa pelas Ilhas Malvinas e questionou as medidas adotadas internacionalmente na pandemia de Covid-19. O posicionamento reforça a orientação externa mais alinhada aos Estados Unidos e pode afetar o ambiente político e comercial do Mercosul.

O que aconteceu

Milei afirmou que a ONU se afastou de suas funções originais e não consegue fazer cumprir as próprias resoluções. As Malvinas foram apresentadas como exemplo dessa falta de efetividade. O presidente argentino reiterou a reivindicação de soberania sobre as ilhas, além das Geórgias do Sul, Sandwich do Sul e áreas marítimas próximas.

O governo argentino voltou a convocar o Reino Unido para retomar negociações bilaterais, com base na Resolução 2065 da Assembleia Geral da ONU. A resolução reconhece a existência de uma disputa de soberania e recomenda o diálogo entre os dois países.

Na mesma fala, Milei criticou a resposta internacional à pandemia. Segundo ele, as quarentenas recomendadas por organismos multilaterais representaram um experimento de controle social apresentado como ciência. A Argentina retirou o país da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante sua gestão.

Por que importa para o agro

A Argentina é um dos principais fornecedores globais de soja, milho, trigo, farelo e óleo de soja. Mudanças na política externa podem influenciar negociações comerciais, relações dentro do Mercosul e acesso a mercados estratégicos. Para o produtor brasileiro, qualquer instabilidade na política argentina pode alterar a concorrência regional e os fluxos de grãos e derivados.

O discurso também sinaliza uma postura mais crítica a organismos multilaterais. Essa posição pode dificultar a coordenação internacional em temas como sanidade vegetal, segurança alimentar, mudanças climáticas e regras para o comércio agrícola. Em contrapartida, a aproximação com os Estados Unidos pode abrir espaço para acordos e investimentos em energia, tecnologia e infraestrutura ligados ao agronegócio.

Dados e contexto

  • A Resolução 2065, aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 1965, reconhece a disputa entre Argentina e Reino Unido pelas Malvinas e recomenda negociações.
  • A Argentina é uma das maiores exportadoras mundiais de farelo e óleo de soja, produtos que competem diretamente com a indústria brasileira.
  • O país também tem peso relevante nas exportações de milho, trigo e carne bovina.
  • A retirada argentina da OMS amplia a distância do governo Milei em relação a organismos multilaterais de saúde.
  • O discurso ocorreu na 81ª Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2026, segundo relatos publicados após a fala presidencial.
A questão das Malvinas permanece sem solução desde a guerra de 1982. O Reino Unido administra o arquipélago, enquanto a Argentina mantém a reivindicação territorial. A disputa tem impacto diplomático, mas também envolve recursos pesqueiros, rotas marítimas e possíveis reservas de petróleo e gás no Atlântico Sul.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar se a retórica será seguida por medidas concretas contra organismos internacionais ou por novas iniciativas comerciais. Para o agro, os principais pontos são a relação da Argentina com o Mercosul, a política de exportações e o câmbio. Também será necessário observar possíveis mudanças em acordos sanitários, investimentos em infraestrutura e negociações com Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia.

Fontes

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