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Abrapa prevê nova safra forte de algodão, mas pede cautela ao produtor

Abrapa projeta produção de até 4,2 milhões de toneladas, enquanto custos, preços e demanda exigem decisões mais cuidadosas.

24 de setembro de 2026 3 min de leitura
Abrapa prevê nova safra forte de algodão, mas pede cautela ao produtor

A produção brasileira de algodão deve alcançar entre 4,1 milhões e 4,2 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). A projeção mantém o país entre os líderes globais, mas vem acompanhada de uma ressalva: aumentar a produção não garante rentabilidade ao produtor.

O que aconteceu

A Abrapa reduziu em 9,5% a estimativa de área plantada na safra em encerramento. Mesmo com o recuo, a associação prevê volume superior ao do ciclo anterior, sustentado pelo avanço da produtividade e pelo desempenho das lavouras.

A avaliação foi apresentada em discussões sobre o mercado do algodão e reforça o bom momento da cotonicultura brasileira. O país ampliou sua presença no comércio internacional e consolidou a capacidade de atender compradores com escala, qualidade e regularidade.

O alerta está na margem financeira. Custos elevados, necessidade de investimentos e oscilações nos preços internacionais podem reduzir o ganho do produtor. Para a Abrapa, liderar produção e exportações só é positivo quando a atividade permanece economicamente sustentável.

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Por que importa para o agro

O algodão exige alto investimento em sementes, defensivos, máquinas, logística e beneficiamento. Uma expansão baseada apenas em expectativa de preços pode elevar a exposição financeira das propriedades, principalmente em regiões com frete caro ou dependência de crédito.

Para a cadeia, uma safra robusta amplia a oferta para as indústrias têxtil e de óleo, fortalece as exportações e movimenta armazéns, tradings e serviços especializados. Para o produtor, porém, o resultado depende do controle de custos, da produtividade e da proteção contra variações cambiais e de mercado.

Dados e contexto

  • A Conab estima 4,14 milhões de toneladas de algodão em pluma para a safra 2025/26, alta de 1,5% sobre o ciclo anterior.
  • A área cultivada deve recuar 3,2%, para aproximadamente 2,02 milhões de hectares, segundo o levantamento de setembro da companhia.
  • A produtividade média projetada pela Conab é de 2.053 quilos de pluma por hectare, recorde da série histórica.
  • A Abrapa estima que o Brasil exportou cerca de 3,16 milhões de toneladas na safra 2025/26, mantendo a liderança global entre os exportadores.
  • O USDA projeta produção brasileira de aproximadamente 4,4 milhões de toneladas para a safra 2026/27.
As diferenças entre as estimativas refletem momentos distintos de atualização e metodologias próprias. A Conab trabalha com levantamentos periódicos de campo, enquanto a Abrapa incorpora informações das associações estaduais e do setor produtivo. Os números ainda podem ser revisados até o encerramento oficial da temporada.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar a relação entre preço, custo operacional e disponibilidade de crédito antes de ampliar a área. Também será necessário monitorar a demanda externa, o câmbio, os estoques globais e o desempenho das lavouras concorrentes. Contratos antecipados, gestão de insumos e investimentos em eficiência podem reduzir riscos, mas não eliminam a exposição às oscilações internacionais.

Fontes

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