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Consumo de vinho cresce e muda o perfil do mercado brasileiro

Alta no consumo de vinho e avaliação nacional indicam novas oportunidades para produtores e indústrias no Brasil.

18 de setembro de 2026 4 min de leitura
Consumo de vinho cresce e muda o perfil do mercado brasileiro

O consumo de vinho no Brasil ganhou força nos últimos anos, impulsionado por mudanças de hábito, maior oferta de rótulos e campanhas de valorização da bebida. Estudos apresentados em 2021 mostram aumento relevante de consumo e expansão do número de consumidores, com reflexos diretos sobre produção nacional, importações e estratégias comerciais da cadeia vitivinícola.

O que aconteceu

Levantamentos nacionais indicam que, entre 2019 e 2020, o consumo de vinhos no Brasil avançou de forma expressiva, com alta superior a 18% em volume, apoiada pelo aumento do consumo doméstico e pela maior presença de rótulos importados nas gôndolas.[1][10][13]

Em 2020, o volume comercializado de vinhos e sucos chegou a mais de 520 milhões de litros, segundo dados sistematizados pela Embrapa Uva e Vinho, com crescimento sobre 2019 tanto em vinhos de mesa quanto em finos.[2][10]

A avaliação nacional de 2021 mostra continuidade desse movimento, com o mercado brasileiro absorvendo mais de 180 milhões de litros de vinhos finos, nacionais e importados, e consolidando um consumo per capita em torno de 2,1 litros ao ano, considerando toda a população.[2][4]

Por que importa para o agro

O avanço do consumo interno abre espaço para maior agregação de valor na vitivinicultura, estimulando investimentos em tecnologia, qualidade de uvas e diversificação de estilos de vinhos. Produtores que antes dependiam de suco ou venda in natura passam a ter alternativas mais rentáveis na indústria de vinhos finos e espumantes.[2][4]

Para o agro, o crescimento do mercado obriga ajustes de planejamento, logística e posicionamento comercial. Vinícolas e cooperativas precisam acompanhar de perto o comportamento do consumidor, a disputa com importados e a evolução dos canais de venda, como e-commerce e clubes de assinatura, que ganharam participação no período pós-2020.[1][2]

Dados e contexto

Pesquisas de Embrapa e IBGE mostram um cenário de expansão gradual:

Indicador (Brasil)Valor aproximadoFonte
Consumo aparente de vinhos e espumantes em 2020**2,05 L per capita**Embrapa Uva e Vinho[10]
Consumo per capita em 2021 (vinhos + espumantes)**2,11 L per capita**Embrapa – Panorama 2021[2][4]
Consumo per capita estimado apenas para adultos (≥18 anos)**2,84 L per capita**Embrapa – Panorama 2021[2]
Participação do Brasil no mercado mundial de vinhocerca de **2%**Canal Rural / OIV[1][13]
Crescimento do consumo de vinhos finos 2019–2021até **39,5%** agregadoEmbrapa – Documentos[7]

Estudos de mercado apontam também mudança no perfil do consumidor. Em 2021, o Brasil já tinha o dobro de consumidores de vinho em relação a 2010, com cerca de 36% da população adulta consumindo a bebida, de acordo com dados compilados de Wine Intelligence citados em análises acadêmicas.[13]

O aumento do consumo ocorre em um país ainda com base per capita baixa comparada a tradicionais produtores, o que indica margem de crescimento. A presença de vinhos importados continua relevante, pressionando a indústria nacional a investir em qualidade, certificação e comunicação com o consumidor.[2][5]

O que observar daqui pra frente

Para produtores e indústrias, o foco deve estar em acompanhar a evolução do consumo per capita, o desempenho dos vinhos finos nacionais frente aos importados e a consolidação de canais digitais de venda. A combinação de renda, câmbio e preferência do consumidor pode abrir espaço para mais investimento em vinhedos, enoturismo e diferenciação regional, mas também exige atenção à competitividade e à profissionalização da gestão em toda a cadeia.

Fontes

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