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UE avança para retomar importações de frango do Brasil

União Europeia aceita protocolo sanitário do Brasil e abre caminho para a volta das exportações de frango ao bloco.

18 de setembro de 2026 4 min de leitura
UE avança para retomar importações de frango do Brasil

A União Europeia comunicou oficialmente ao governo brasileiro que aceitou os protocolos de controle do uso de antimicrobianos na produção de alimentos de origem animal, abrindo caminho para a retomada das importações de carne de frango do Brasil. A sinalização reduz o impacto do embargo aplicado em setembro e reacende uma das principais rotas de exportação da avicultura nacional.

O que aconteceu

Após suspender em 3 de setembro as compras de carnes e produtos de origem animal do Brasil, a União Europeia realizou auditorias nas cadeias de frango e mel para avaliar os sistemas de controle de antimicrobianos adotados pelo país. O bloqueio atingiu frango, bovinos, suínos, ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos.

Com a conclusão das avaliações técnicas, o bloco informou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) que houve acordo interno sobre os protocolos críticos para o retorno dos embarques de frango. O próximo passo é o envio do protocolo detalhado pelas autoridades europeias, etapa necessária para a normalização do comércio.

O governo brasileiro trabalha para que o Brasil volte à lista de países habilitados a fornecer carne de frango ao bloco, revertendo a retirada da lista de conformidade com as regras de antimicrobianos. A expectativa do setor é de retomada gradual dos embarques nos próximos meses, à medida que os requisitos forem implementados.

Por que importa para o agro

A União Europeia é um mercado estratégico, com alto valor agregado e peso relevante na formação de preços da carne de frango brasileira. A retomada das importações reduz o risco de excesso de oferta no mercado interno, ajuda a sustentar margens da indústria e traz previsibilidade para a cadeia integrada de produção.

Para o produtor, a reabertura do mercado europeu tende a aliviar pressões de preço em regiões exportadoras e apoiar contratos de integração com frigoríficos. Com o bloqueio, parte da produção destinada à UE precisou ser redirecionada para outros destinos ou para o mercado doméstico, pressionando logística e remuneração.

Dados e contexto

Antes das recentes restrições, o Brasil figurava entre os principais fornecedores de carne de frango para a União Europeia, ao lado de países como Tailândia e Ucrânia. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indica que o acordo Mercosul–UE prevê potencial de até 180 mil toneladas/ano de frango brasileiro para o bloco.

A decisão europeia de suspender as importações esteve vinculada ao regulamento sobre uso de antimicrobianos na pecuária, não a problemas pontuais de qualidade dos produtos. O Brasil foi retirado da lista de países considerados em conformidade com essas regras, exigindo ajustes de certificação e monitoramento.

Instituições como MAPA e Embrapa já atuam em programas de redução e uso racional de antimicrobianos, com foco em bem-estar animal, biosseguridade e melhoria de manejo. Esses avanços são fundamentais para manter acesso a mercados regulados, como União Europeia, Japão e algumas economias do Oriente Médio.

Em 2025, o Brasil já havia enfrentado restrições temporárias por conta de foco isolado de influenza aviária, revertidas após comprovação de controle sanitário. O histórico mostra que a manutenção de mercados exige resposta rápida a mudanças regulatórias e transparência nos sistemas de controle.

O que observar daqui pra frente

Os próximos meses serão decisivos para confirmar prazos e volumes da retomada das exportações de frango à União Europeia. Produtores e indústria devem acompanhar de perto a publicação do protocolo detalhado europeu, eventuais exigências adicionais de rastreabilidade e o ritmo de relistagem de plantas habilitadas, avaliando oportunidades de reposicionamento comercial e adequação de manejo para atender às novas regras.

Fontes

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