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Consumo de vinho no Brasil bate recorde e muda o jogo para o agro

Brasil registra recorde histórico no consumo de vinhos em 2025 e vira ponto fora da curva em um mercado global em queda.

17 de maio de 2026 4 min de leitura
Consumo de vinho no Brasil bate recorde e muda o jogo para o agro

O consumo de vinho no Brasil atingiu 4,4 milhões de hectolitros em 2025, o maior volume da série histórica, segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). O avanço de 41,9% sobre 2024 ocorre enquanto o consumo global recua, abrindo espaço para o produtor nacional ganhar mercado, agregar valor e diversificar a produção.

O que aconteceu

O Brasil foi um dos poucos destaques positivos no mercado mundial de vinhos em 2025. Enquanto o consumo global caiu 2,7%, o país ampliou de forma expressiva o volume bebido pela população, alcançando um novo patamar de demanda interna.

Segundo a OIV, o consumo brasileiro chegou a 4,4 milhões de hectolitros (cada hectolitro equivale a 100 litros), consolidando o país como segundo maior mercado de vinhos da América do Sul. O salto é ainda mais forte porque 2024 foi um ano fraco, com consumo excepcionalmente baixo.

Além da alta no consumo, a entidade aponta que a área de vinhedos no Brasil cresceu pelo quinto ano seguido, sinalizando que a produção nacional começa a responder ao aumento da demanda. A expansão ocorre em regiões tradicionais, como Serra Gaúcha, e em novas fronteiras, como Campanha Gaúcha, Planalto Catarinense e áreas de altitude em São Paulo e Minas Gerais.

Por que importa para o agro

O recorde de consumo reforça o vinho como oportunidade de agregação de valor para a uva, em comparação à venda in natura para mesa ou indústria de suco. Com um mercado interno mais aquecido, vinícolas e produtores têm maior previsibilidade para investir em tecnologia, irrigação, manejo de precisão e novos cultivares.

Para o agro, o movimento também ajuda a diluir riscos em relação a commodities mais voláteis. A vitivinicultura envolve uma cadeia complexa: insumos, mudas, serviços de enoturismo, embalagens, logística e comércio especializado. O crescimento do consumo tende a puxar empregos locais e fortalecer polos produtores, em especial no Sul e em novas regiões de clima favorável.

Dados e contexto

O cenário brasileiro contrasta com o desempenho global. A OIV aponta queda no consumo mundial, pressionada por inflação, mudanças de hábito e restrições regulatórias em vários países. Na contramão, o Brasil demonstra espaço para ganhos de penetração do vinho no dia a dia do consumidor.

Fatores-chave para o avanço:

  • Maior acesso a rótulos nacionais com boa relação qualidade/preço.
  • Expansão do varejo online e clubes de assinatura de vinhos.
  • Melhora na renda em faixas específicas de consumidores urbanos.
  • Ações de marketing e enoturismo em regiões produtoras.
Na visão de instituições como a Embrapa Uva e Vinho, a vitivinicultura brasileira ainda tem produção concentrada no Rio Grande do Sul, mas cresce em estados como Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. O aumento da área de vinhedos por cinco anos seguidos reforça a aposta do produtor, apesar de desafios como clima, custos e câmbio.

Uma leitura simplificada dos números citados pela OIV: | Indicador | 2024

2025

| Consumo de vinho no Brasil | ~3,1 milhões hl | 4,4 milhões hl | | Variação anual Brasil | — | +41,9% | | Consumo mundial de vinho | 100% (base) | -2,7% vs. 2024 | | Posição do Brasil na América do Sul | 2º maior mercado | 2º maior mercado |

\Valor aproximado, calculado pela variação informada (+41,9%).

Para o produtor, a mensagem é clara: há mercado interno em expansão, com espaço para vinhos finos, espumantes e também vinhos de mesa de melhor qualidade. A profissionalização de manejo, colheita, escolha de porta-enxertos e controle de doenças é ponto central para capturar esse crescimento com margens melhores.

O que observar daqui pra frente

Produtores e vinícolas devem acompanhar se o consumo de 2025 marca um novo patamar estrutural ou se foi um salto pontual após um ano fraco. Fatores como renda, inflação, câmbio e concorrência de importados vão definir o ritmo do mercado. Quem investir em qualidade, regularidade de oferta, diferenciação regional e canais diretos de venda tende a capturar melhor as oportunidades abertas por esse recorde histórico.

Fontes

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