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Consumo mundial de pescado dobra em cinco décadas e abre espaço para o agro

Consumo global de peixes e pescados saltou de 9 kg para 20,5 kg per capita desde 1961, superou outras proteínas e reforça oportunidade para aquicultura e pesca.

01 de junho de 2026 4 min de leitura
Consumo mundial de pescado dobra em cinco décadas e abre espaço para o agro

O consumo global per capita de peixes e pescados saltou de 9 kg para 20,5 kg entre 1961 e 2018, praticamente dobrando em pouco mais de cinco décadas e crescendo mais rápido que a população mundial.[1] A demanda por proteína de origem aquática também superou a evolução de outras carnes, com avanço médio anual próximo de 1,5%, o que reposiciona o pescado como peça relevante na oferta global de alimentos.[1]

O que aconteceu

Dados compilados pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) mostram que o consumo de pescado cresceu de forma contínua desde o início dos anos 1960, sustentado por aumento de renda, urbanização e maior oferta de produtos processados.[1] Em 2018, o mundo atingiu 20,5 kg per capita, mais que o dobro do patamar inicial e em ritmo superior ao crescimento populacional.[1]

O avanço do consumo também superou o desempenho de outras proteínas de origem animal, como carne bovina, suína e de frango, que cresceram em patamar mais lento no mesmo período.[1] A expansão foi puxada tanto pela pesca extrativa quanto pela aquicultura, com esta última ganhando peso crescente na oferta total de pescado.

Na prática, o pescado consolidou-se como uma das principais fontes de proteína animal no mundo, especialmente em países asiáticos e em regiões costeiras. O aumento da disponibilidade de produtos congelados, filés e enlatados ampliou o acesso ao consumidor urbano e reduziu a sazonalidade do consumo.

Por que importa para o agro

O crescimento sustentado da demanda por pescado abre espaço para expansão da aquicultura, segmento que já é um dos mais dinâmicos da produção de proteína animal. Para o produtor rural, peixes e outros organismos aquáticos se consolidam como alternativa de diversificação, integrando-se a sistemas com grãos, aves e suínos.

No Brasil, onde a Embrapa e o Ministério da Agricultura (MAPA) vêm estimulando a piscicultura de espécies como tilápia e peixes nativos, o cenário global reforça oportunidades de exportação e de agregação de valor em filetagem, processamento e produtos prontos. A tendência favorece investimentos em genética, nutrição, sanidade e manejo de água, aproximando o pescado de cadeias já consolidadas como frango e suínos.

Dados e contexto

IndicadorValor / informação

| Consumo per capita de pescado 1961 | 9 kg[1] | | Consumo per capita de pescado 2018 | 20,5 kg[1] | | Crescimento médio anual do consumo | Aproximadamente 1,5% ao ano[1] | | Comparação com crescimento populacional | Consumo de pescado quase dobrou a taxa de crescimento da população mundial[1] | | Desempenho vs. outras proteínas | Pescado cresceu mais que bovinos, suínos e aves no período[1] |

A FAO e o Comitê de Pesca (COFI) apontam que a aquicultura é hoje responsável por parcela crescente da produção total de pescado, reduzindo a pressão sobre estoques naturais. Em paralelo, estudos de instituições como Embrapa Pesca e Aquicultura indicam que o Brasil tem ampla disponibilidade de água doce, clima favorável e oferta de grãos para ração, o que posiciona o país entre os potenciais líderes na produção aquícola.

Além do mercado interno, que ainda consome menos pescado per capita que a média mundial segundo a FAO e o IBGE, há espaço para ampliar exportações para Ásia, Europa e Estados Unidos. O diferencial competitivo brasileiro passa por custo de produção, regularização de áreas aquícolas em reservatórios públicos e melhoria da logística de frio.

O que observar daqui pra frente

Para quem atua ou pretende entrar na cadeia do pescado, pontos-chave serão a profissionalização da gestão das fazendas aquícolas, o acesso a insumos de qualidade, o controle sanitário e o investimento em processamento e frio para reduzir perdas e ampliar a oferta de produtos com maior valor agregado. A evolução de normas ambientais e de bem-estar animal, bem como acordos sanitários e tarifários com grandes importadores, tende a definir o ritmo de expansão do setor nos próximos anos.

Fontes

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