Gestão

Coopercitrus prepara nova geração para liderar o cooperativismo

Liga Jovem Coopercitrus quer formar sucessores para as fazendas e para a própria cooperativa, unindo gestão, cooperativismo e tecnologia.

30 de julho de 2026 5 min de leitura
Coopercitrus prepara nova geração para liderar o cooperativismo

A Coopercitrus lançou a Liga Jovem, programa que mira reunir cerca de 3 mil filhos, netos e familiares de cooperados para prepará-los para a sucessão nas fazendas e em cargos de liderança dentro da própria cooperativa.[1] A iniciativa combina formação em gestão rural, cooperativismo e novas tecnologias, mirando o principal gargalo apontado pelo presidente do conselho, Matheus Marino: a sucessão nas propriedades.[1]

O que aconteceu

Criada neste ano, a Liga Jovem Coopercitrus busca aproximar a nova geração da gestão profissional do negócio rural, do modelo cooperativista e das inovações que vêm mudando a agricultura.[1] O foco é que esses jovens entendam o negócio como empresa, sejam preparados para decisões estratégicas e tenham vivência direta com a dinâmica da cooperativa.

O programa oferece estágios em mais de 70 unidades da Coopercitrus, permitindo contato com diferentes perfis de produtores, culturas e sistemas de produção.[1][7] A formação inclui temas de gestão, mercado, crédito, além de pilares de governança do cooperativismo, para que os participantes possam ocupar, no futuro, também cadeiras em conselhos e diretoria.

Outro eixo é a exposição a tecnologias como agricultura digital, drones, imagens de satélite, robótica e algoritmos, ferramentas que tendem a atrair mais o interesse das novas gerações do que o modelo tradicional da lida na fazenda.[1][7] A ideia é que esses jovens atuem como ponte entre a inovação e a realidade das propriedades familiares associadas à cooperativa.

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Por que importa para o agro

A sucessão nas propriedades é apontada por Marino como a “principal pedra no sapato do produtor rural a nível global”.[1] Sem herdeiros preparados, muitos negócios perdem competitividade, se fragmentam entre irmãos ou acabam vendidos, o que afeta diretamente a escala produtiva e a própria base de cooperados.

Ao estruturar um programa voltado a jovens, a Coopercitrus busca blindar a continuidade do negócio dos seus mais de 40 mil associados, preservando a base produtiva e o volume de compras e serviços dentro da cooperativa.[3][4][7] Para o agro, isso significa manutenção de escala, acesso a tecnologia e crédito em um ambiente organizado, algo crítico em um cenário de margens pressionadas e crédito mais seletivo.

Dados e contexto

A Coopercitrus é hoje uma das maiores cooperativas do agro brasileiro, com forte atuação em insumos, máquinas, agricultura digital, serviços financeiros e energia.[3][4][7] A estratégia recente tem sido criar um ecossistema integrado de soluções para o produtor, com foco em tecnologia, crédito e eficiência.

Alguns números ajudam a dimensionar o contexto em que nasce a Liga Jovem:

  • Associados: cerca de 42 a 43 mil produtores ligados à Coopercitrus.[3][4][7]
  • Presença física: mais de 70 municípios atendidos, que também servem de base para estágios da Liga Jovem.[7]
  • Equipe técnica: cerca de 500 profissionais que já atuam levando tecnologia e assistência a campo.[7]
  • Crédito: demanda anual de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em financiamento de insumos e máquinas pelos cooperados.[4]
  • Finanças e gestão: criação da fintech Fincoop, que auxilia produtores na busca de crédito, fluxo de caixa e gestão do negócio.[3][8]
Essa infraestrutura facilita que os jovens da Liga tenham contato com a cadeia completa do negócio rural: da compra de insumos e uso de biológicos à gestão financeira e ao relacionamento com bancos e mercado.[3][7][8] Na prática, o programa se apoia em ativos que a cooperativa já construiu, como o Campo Digital, espaços de inovação e os programas de Jovem Cooperado.[4][7]

Em um cenário em que o agro exige cada vez mais tecnologia, gestão e eficiência, como destaca o próprio conselho da Coopercitrus, formar lideranças jovens alinhadas a esses pilares é estratégico para manter competitividade e governança no longo prazo.[7]

O que observar daqui pra frente

Para o produtor e para o mercado, o ponto a acompanhar é se a Liga Jovem vai conseguir engajar os 3 mil participantes previstos e transformar essa formação em sucessores de fato atuando nas fazendas e nas instâncias de decisão da cooperativa.[1] A velocidade com que esses jovens assumirem responsabilidades, adotarem tecnologia em larga escala e influenciarem a governança da Coopercitrus será um termômetro de como o cooperativismo pode responder, na prática, ao desafio da sucessão no agro brasileiro.

Fontes

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