Gestão

Cooxupé cria programa para preparar jovens para a sucessão no café

Projeto da Cooxupé e da JDE Peet’s vai capacitar 700 jovens cafeicultores em gestão, sustentabilidade e liderança nos próximos cinco anos.

25 de setembro de 2026 4 min de leitura
Cooxupé cria programa para preparar jovens para a sucessão no café

A Cooxupé e a JDE Peet’s lançaram o projeto Gerações do Café: Semeando um Futuro Sustentável para apoiar a sucessão familiar na cafeicultura. A iniciativa pretende capacitar 700 produtores de 18 a 35 anos ao longo de cinco anos, com foco em gestão, sustentabilidade e liderança. O objetivo é preparar uma nova geração para assumir as propriedades e manter a atividade no campo.

O que aconteceu

A primeira etapa reuniu 70 cooperados em Guaxupé (MG), nos dias 22 e 23 de setembro. Esse grupo inicia uma jornada de um ano, com novos encontros e atividades voltadas à administração das propriedades, planejamento financeiro, agricultura regenerativa, cooperativismo, inovação e liderança.

As próximas turmas serão formadas gradualmente até alcançar a meta de 700 jovens. Além das capacitações, o programa prevê participação em feiras agrícolas, fóruns de inovação e encontros do setor, ampliando o contato dos produtores com tecnologias, mercados e práticas de produção.

A iniciativa foi apresentada como resposta ao envelhecimento da mão de obra na cafeicultura. Dados citados no lançamento, com base em levantamento do IBGE, indicam redução da participação de trabalhadores jovens e aumento da presença de profissionais com mais de 55 anos no setor.

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Por que importa para o agro

A sucessão familiar define a continuidade de milhares de propriedades cafeeiras. Sem planejamento, a saída dos produtores mais velhos pode provocar perda de conhecimento, desorganização da gestão e venda ou arrendamento de áreas. A formação dos jovens ajuda a transformar a sucessão em um processo planejado, com divisão de responsabilidades e metas para o negócio.

O programa também combina gestão e sustentabilidade. Para o produtor, isso pode melhorar o controle de custos, o planejamento da produção e a adoção de práticas regenerativas. Para a cadeia, a permanência dos jovens favorece a oferta de café rastreável, com qualidade e aderência às exigências ambientais e sociais dos compradores.

Dados e contexto

  • 700 jovens produtores: meta de capacitação ao longo de cinco anos.
  • 18 a 35 anos: faixa etária do público participante.
  • 70 cooperados: integrantes da primeira etapa do projeto.
  • Um ano: duração inicial da jornada de formação da primeira turma.
  • Conteúdos: gestão rural, planejamento financeiro, agricultura regenerativa, cooperativismo, liderança e inovação.
A Cooxupé é uma das principais cooperativas de café do país e reúne cerca de 20 mil cooperados, segundo informações divulgadas pela própria cooperativa em iniciativas ligadas à sustentabilidade. A Embrapa também trata a sucessão como tema estratégico para a agricultura familiar e para a continuidade da cafeicultura em diferentes regiões produtoras.

O desafio não envolve apenas atrair jovens. A propriedade precisa oferecer renda, participação nas decisões e acesso a tecnologia. A formação técnica terá mais efeito quando vier acompanhada de transparência financeira, organização societária e definição clara do papel de cada geração.

O que observar daqui para frente

O principal indicador será a capacidade de transformar treinamento em decisões práticas dentro das propriedades. É preciso acompanhar a adesão dos jovens, a adoção de controles financeiros, o uso de práticas regenerativas e a permanência deles na atividade. Também será relevante verificar se o projeto amplia o acesso a crédito, tecnologia, assistência técnica e mercados que remunerem qualidade e sustentabilidade.

Fontes

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