Sustentabilidade

COP30 propõe acelerar ações contra desmatamento e uso de fósseis

Proposta em debate na COP30 quer antecipar corte de combustíveis fósseis e desmatamento, com impactos diretos em crédito, mercado e exigências ambientais ao agro.

24 de maio de 2026 4 min de leitura
COP30 propõe acelerar ações contra desmatamento e uso de fósseis

A COP30, em Belém, discute uma proposta para antecipar ações globais contra o desmatamento e acelerar a redução do uso de combustíveis fósseis. O texto em negociação busca transformar compromissos genéricos em metas concretas para a próxima década, com foco na proteção de florestas e na transição energética. Para o agro brasileiro, o resultado pode redefinir exigências ambientais, acesso a crédito e competitividade em mercados que cobram rastreabilidade.

O que aconteceu

Delegações em Belém discutem um rascunho de decisão que combina três frentes: reforço das metas de redução de emissões, aceleração do corte no uso de combustíveis fósseis e compromissos claros de combate ao desmatamento. A ideia é que a COP30 marque a virada de um regime centrado em negociação para uma fase de implementação, com planos nacionais mais detalhados.

O Brasil pressiona por incluir a erradicação do desmatamento ilegal em todos os biomas e maior valorização das florestas, por meio de créditos de carbono e sociobioeconomia. O país argumenta que já reduziu o desmatamento na Amazônia e pode liderar a pauta, desde que haja financiamento internacional previsível.

Também está em debate a criação de “mapas de ação” setoriais, com cronogramas e métricas para energia, uso da terra e agricultura. Esses mapas podem orientar políticas públicas, indicadores de bancos e exigências de cadeias globais de alimentos, incluindo carne, soja e outros produtos do agro brasileiro.

Por que importa para o agro

Se a proposta avançar, produtores terão um ambiente regulatório mais rígido em relação a desmatamento e emissões da atividade agropecuária. A tendência é de maior fiscalização, integração de dados de CAR, PRODES e outros sistemas, além de pressão extra de frigoríficos, tradings e varejistas por áreas totalmente regularizadas e livres de desmate recente.

Ao mesmo tempo, abrem-se oportunidades em mercados de carbono, programas de pagamento por serviços ambientais e linhas de crédito verde. Quem já trabalha com recuperação de pastagens, intensificação sustentável e rastreabilidade tende a se beneficiar primeiro, com acesso facilitado a exportação, prêmios de preço e financiamentos com juros menores.

Dados e contexto

Em 2023, o Brasil reduziu o desmatamento na Amazônia em cerca de 50% em relação a 2022, segundo o sistema PRODES/INPE, mas o patamar ainda é alto frente às metas climáticas. O Plano de Transformação Ecológica do governo federal prevê zerar o desmatamento ilegal até 2030, alinhado ao Acordo de Paris.

Conforme o MAPA, a agropecuária responde por parcela relevante das emissões brasileiras ligadas a mudança de uso da terra e fermentação entérica. Por outro lado, a Embrapa estima que sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta podem reduzir emissões por unidade produzida e aumentar o sequestro de carbono no solo, sem reduzir a produção.

No comércio internacional, a Comissão Europeia aprovou o regulamento EUDR, que restringe importações de produtos associados a desmatamento. Isso afeta cadeias de soja, carne bovina, café, cacau e madeira, exigindo comprovação de origem. A tendência é que outros mercados avancem em direções parecidas, conectando metas da COP30 a regras comerciais.

Além disso, a Agência Internacional de Energia aponta que, para limitar o aquecimento global a 1,5°C, o consumo de combustíveis fósseis precisa cair de forma acentuada até 2030. Isso reforça investimentos em bioenergia, biogás, biometano e biocombustíveis avançados, áreas nas quais o agro brasileiro pode ganhar espaço.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar o texto final da COP30 e como ele será traduzido em políticas internas: metas de desmatamento por bioma, exigências de rastreabilidade, critérios de crédito rural e programas de incentivo à agricultura de baixo carbono. Quem se antecipar, regularizar áreas, integrar sistemas produtivos e medir emissões terá mais chances de acessar mercados exigentes e novas fontes de receita, enquanto quem ficar para trás tende a enfrentar barreiras comerciais, restrições de crédito e maior custo regulatório.

Fontes

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