Copa impulsiona vendas de proteína para Marfrig e JBS
Marfrig e JBS montam estratégia para surfar no aumento de consumo de carnes durante os jogos da seleção na Copa, de olho em margens e ganho de mercado.

Marfrig (MBRF) e JBS montaram uma ofensiva comercial para transformar a Copa do Mundo em "Copa da proteína", apostando em aumento de consumo de carnes durante os jogos da seleção e maior tráfego em supermercados, açougues e bares. O objetivo é capturar alta nas vendas, melhorar mix de produtos e ganhar espaço em mercados estratégicos, do varejo interno à exportação.
O que aconteceu
Empresas brasileiras de proteína animal projetam expansão nas vendas durante o torneio, apoiadas no histórico de maior consumo em eventos esportivos e em campanhas específicas ligadas ao futebol e às reuniões em família e amigos.[4] A expectativa é de incremento relevante em carnes bovinas, de frango e processados, com foco em cortes para churrasco, hambúrgueres, linguiças e snacks prontos.
Para capturar essa demanda, Marfrig e JBS reforçaram presença em gôndolas, promoções em parceria com redes de varejo e canais digitais, além de ações com marcas fortes como Friboi, Seara e outras linhas de conveniência.[1][4] A estratégia combina marketing direcionado, maior disponibilidade de produtos de valor agregado e ajustes na logística para abastecer pontos de maior consumo em dias de jogo.
No segmento de exportação, as companhias também miram países que acompanham a Copa e que já são grandes compradores de carne bovina e de frango, usando o calendário esportivo para ampliar relacionamento com clientes, testar novos cortes e fortalecer marcas brasileiras no exterior.[2][4]
Por que importa para o agro
Para o produtor, um ciclo de maior demanda por proteína tende a sustentar níveis de abate e favorecer a indústria, o que pode se refletir em melhor escoamento de boi gordo, frango e suínos, dependendo da capacidade das empresas de capturar margens. Quando frigoríficos operam com uso maior da capacidade, aumenta o apetite por animais prontos, o que ajuda a enxugar a oferta no campo.
Para a cadeia como um todo, a Copa funciona como um teste de estresse comercial: quem tiver mix adequado, eficiência logística e negociação forte com varejo tende a ganhar participação. Esse movimento influencia decisões futuras de compra de gado, investimentos em plantas, linhas de processados e contratos de longo prazo com fornecedores.
Dados e contexto
Eventos esportivos como Copa do Mundo costumam elevar o consumo de carnes em torno de 10% em períodos de jogos, segundo executivos da JBS, com potencial de chegar a 20% a 30% em cenários mais favoráveis de avanço da seleção.[1] A alta se concentra em dias de partida e nos fins de semana, com pico em cortes de churrasco e produtos prontos.
No Brasil, o consumo aparente de carne bovina tem oscilado em torno de 26 a 27 kg por habitante/ano, enquanto o de carne de frango ultrapassa 45 kg/hab/ano, de acordo com estimativas de Conab e MAPA, mostrando espaço maior de reação em frango e processados em eventos sazonais. Já suínos se aproximam de 18 kg/hab/ano, com crescimento estrutural sustentado.[1]
A Embrapa e o IBGE apontam que o rebanho bovino brasileiro supera 230 milhões de cabeças, com forte concentração em Centro-Oeste e Norte, enquanto a capacidade industrial permanece distribuída entre grandes grupos como JBS, Marfrig e Minerva. Esse parque industrial permite rápida resposta a picos de demanda, mas pressiona custos quando a utilização cai.
No comércio exterior, o Brasil lidera as exportações mundiais de carne bovina e é um dos maiores exportadores de carne de frango, segundo dados do USDA e da Conab. Em anos de Copa, a visibilidade do país como fornecedor confiável de proteína ganha reforço, o que favorece negociações com Oriente Médio, China e outros grandes compradores.
Sob a ótica financeira, receitas extras de alguns pontos percentuais durante a Copa podem ter impacto relevante em margens, especialmente em um cenário de câmbio volátil e custos ainda elevados de grãos para ração. A estratégia de empurrar produtos de maior valor agregado é central para capturar esse ganho.
O que observar daqui pra frente
O produtor e o mercado devem acompanhar se o impulso de consumo da Copa se transforma em tendência ou se fica restrito ao período dos jogos, além da capacidade de Marfrig, JBS e outros frigoríficos de manter preços, margens e volume após o torneio. A evolução das exportações no segundo semestre, a reação do varejo em repasses de preço e o comportamento do consumidor diante de renda apertada vão definir se a "Copa da proteína" será apenas um pico tático ou o gatilho para um ciclo mais firme de demanda por carne no Brasil.
Fontes
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