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CPR de Fomento ganha espaço como crédito privado em meio ao avanço das RJs

Com mais recuperações judiciais no agro e crédito bancário mais restrito, a CPR de Fomento se consolida como alternativa privada de financiamento com menor risco ao credor.

13 de setembro de 2026 4 min de leitura
CPR de Fomento ganha espaço como crédito privado em meio ao avanço das RJs

O aumento das recuperações judiciais (RJs) no agronegócio e o aperto do crédito bancário estão empurrando produtores e empresas para alternativas privadas de financiamento. Nesse cenário, a CPR de Fomento, lastreada em entrega futura de produto e classificada como extraconcursal quando liquidada fisicamente, ganha peso como instrumento que reduz o risco do credor e mantém o fluxo de insumos ao campo.

O que aconteceu

O agronegócio atravessa um ciclo de alta alavancagem, juros mais caros e forte deterioração de caixa em várias regiões, o que elevou os pedidos de recuperação judicial e aumentou a seletividade dos bancos nas novas concessões de crédito.

Com o espaço menor nas linhas oficiais e tradicionais, parte relevante do financiamento de custeio migrou para estruturas privadas, entre elas a Cédula de Produto Rural (CPR) de Fomento, emitida com liquidação em produto e vinculada à entrega futura de parte da safra.

Na prática, a operação acontece como um modelo de barter: revendas e tradings fornecem insumos, sementes, fertilizantes e defensivos ao produtor hoje, e recebem soja, milho ou outras culturas como pagamento na colheita. Essa lógica transforma a CPR de Fomento em um título de crédito que organiza juridicamente uma relação já comum na cadeia.

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Por que importa para o agro

A principal vantagem da CPR física é o tratamento extraconcursal previsto na legislação: quando o pagamento é feito com entrega de produto, a obrigação não entra no concurso de credores da recuperação judicial. Isso reduz a exposição do financiador ao risco de calote em RJs e ajuda a manter a oferta de insumos mesmo em ambiente de maior inadimplência.

Para o produtor, a CPR de Fomento abre uma frente de crédito fora dos bancos, muitas vezes com análise mais focada em capacidade produtiva e histórico de entrega do que em balanço formal. Em momentos de aperto, esse canal pode ser decisivo para garantir plantio, giro de estoque e cumprimento de contratos de exportação.

Dados e contexto

O avanço das RJs no agro vem sendo acompanhado por consultorias, bureaus de crédito e pela imprensa especializada, com números que mostram um quadro de estresse crescente nas dívidas do campo.

IndicadorSituação recente no agro
Pedidos de RJAlta de **mais de 20%** em certos trimestres frente ao ano anterior
Recordes de RJsPeríodos com **centenas de pedidos** em poucos meses, concentrados em produtores e empresas de insumos
CPRs emitidasEstoque de CPRs na casa de **centenas de bilhões de reais**, com forte participação de operações físicas

A Lei nº 8.929/1994, que regula a CPR, recebeu ajustes pela Lei nº 14.112/2020 para deixar claro que a CPR com liquidação física não se submete aos efeitos da recuperação judicial. Esse ponto jurídico sustenta a expansão das operações de fomento via barter, pois dá segurança adicional a tradings, cooperativas, revendas e fundos de crédito que estruturam essas operações.

No pano de fundo, a Conab aponta custos elevados de produção em culturas como soja e milho, enquanto dados de mercado mostram volatilidade de preços e margens apertadas em várias regiões. Esse combo de custos altos, receita incerta e crédito bancário seletivo incentiva o uso de instrumentos como CPR, CRA, Fiagro e estruturas de DIP finance.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar três frentes: a evolução das RJs no agro, que segue pressionando o sistema de crédito; eventuais mudanças na regulação da CPR e de outros títulos extraconcursais; e o apetite de tradings, revendas e fundos em manter e ampliar operações de barter e fomento. Em cenário de maior risco jurídico e climático, quem dominar bem o uso da CPR de Fomento, negociar garantias com clareza e ajustar volumes de entrega à sua capacidade real de produção tende a ter acesso mais estável a insumos e financiamento.

Fontes

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