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CRAs perdem espaço, enquanto Fiagros recuperam valor na B3

Reprecificação de risco derrubou CRAs, mas Fiagros mais que dobraram de valor após o mercado separar crédito problemático de carteiras diversificadas.

02 de outubro de 2026 4 min de leitura
CRAs perdem espaço, enquanto Fiagros recuperam valor na B3

A forte diferença de desempenho entre Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Fiagros reflete uma mudança na percepção de risco do mercado. Segundo análise da XP, os CRAs chegaram a acumular queda próxima de 70% em determinados casos, enquanto cotas de Fiagros mais que dobraram de valor após a reprecificação dos ativos ligados ao agronegócio.

O que aconteceu

O movimento começou após uma sequência de problemas no crédito rural, com aumento de pedidos de recuperação judicial, queda de margens e maior custo de financiamento. A combinação pressionou empresas e produtores com estrutura financeira mais alavancada, elevando a percepção de risco dos títulos de dívida do setor.

A recuperação judicial da AgroGalaxy ampliou a aversão ao risco. O caso provocou efeito sobre várias cotas de Fiagros negociadas na B3, inclusive fundos sem exposição direta à empresa. O mercado passou a aplicar descontos generalizados, sem diferenciar completamente a qualidade dos devedores e a diversificação das carteiras.

Na avaliação da XP, parte dessa reação foi exagerada. O desempenho posterior dos Fiagros indica que investidores começaram a separar fundos com exposição a operações problemáticas daqueles que mantêm carteiras pulverizadas, garantias mais robustas e devedores com melhor capacidade de pagamento.

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Por que importa para o agro

Os Fiagros funcionam como uma ponte entre o mercado de capitais e o financiamento da cadeia agroindustrial. Eles podem investir em CRAs, cotas de fundos de recebíveis e outros ativos vinculados a produtores, cooperativas, revendas e empresas do setor. Quando as cotas caem, o custo de captação tende a aumentar para novos projetos e operações de crédito.

Para o produtor, a diferença entre os ativos reforça a necessidade de avaliar não apenas a rentabilidade prometida. A concentração por devedor, cultura, região, safra e elo da cadeia pode alterar significativamente o risco. Fundos com exposição pulverizada tendem a absorver melhor problemas isolados, enquanto carteiras concentradas ficam mais vulneráveis a inadimplência e eventos climáticos.

Dados e contexto

  • Entre 2023 e 2024, o setor enfrentou quebra de safra, aumento dos custos de produção, queda de margens e encarecimento da dívida.
  • O número de recuperações judiciais no campo cresceu, mas a XP ressalta que muitos casos envolvem produtores pessoas físicas, diferentes dos principais devedores presentes nas carteiras de Fiagros.
  • Em levantamento citado pela XP, o retorno médio dos Fiagros em 2025 ficou próximo de 24%, acima do desempenho médio de outros fundos listados.
  • O Fiagro da JGP registrou alta de 44,27% até 13 de agosto de 2025, segundo dados citados na análise da XP.
  • O XPCA11 mantinha, em relatório da gestora, mais de 80% do patrimônio alocado em CRAs, além de posições em fundos de recebíveis e caixa.
O cenário mostra que CRA e Fiagro não são sinônimos. O CRA é um título de crédito específico. O Fiagro é um veículo de investimento que pode reunir vários ativos, permitindo diversificação e gestão ativa da carteira.

O que observar daqui para frente

Investidores e empresas devem acompanhar a inadimplência, novas recuperações judiciais, a trajetória da Selic e a qualidade das garantias. Para o agro, a oportunidade está na retomada de estruturas de crédito bem selecionadas, mas a análise precisa considerar concentração, subordinação, liquidez e histórico do gestor. A XP mantém visão cautelosamente otimista, com preferência por fundos diversificados e sem eventos relevantes de crédito.

Fontes

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