Cruz Alta abre colheita do trigo no Rio Grande do Sul
Abertura da colheita em Cruz Alta ocorre em uma safra menor, com queda na área plantada e na produção estimada de trigo no Estado.
Cruz Alta marcou o início oficial da colheita do trigo no Rio Grande do Sul. A cerimônia reuniu produtores, autoridades e representantes da cadeia agrícola em um momento de atenção para o clima, os custos de produção e o desempenho da safra. A produção estadual está estimada em cerca de 2,16 milhões de toneladas, abaixo do volume colhido no ciclo anterior.
O que aconteceu
O evento foi realizado em 22 de outubro e contou com a participação do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena. A abertura simboliza o começo de uma etapa decisiva para produtores, cooperativas, cerealistas e indústrias de moagem.
Cruz Alta ocupa a segunda posição entre os municípios gaúchos com maior área cultivada de trigo, atrás apenas de Palmeira das Missões. A escolha do município reforça a relevância da região para a triticultura estadual e para o abastecimento da indústria de alimentos.
A colheita começa em um cenário de redução da área plantada e de incertezas relacionadas às condições climáticas. O excesso de umidade em determinados períodos pode dificultar a entrada das máquinas e afetar a qualidade dos grãos.
Por que importa para o agro
A menor oferta gaúcha pode reduzir o volume disponível para cooperativas, moinhos e compradores regionais. O Rio Grande do Sul é um dos principais produtores brasileiros de trigo, e alterações na safra influenciam a necessidade de compras externas e a formação de preços no mercado doméstico.
Para o produtor, a rentabilidade dependerá da combinação entre produtividade, qualidade, custo de colheita e preço recebido. O trigo com melhor padrão industrial tende a encontrar maior demanda, enquanto lotes fora das especificações podem sofrer descontos ou exigir comercialização para outros usos.
Dados e contexto
A estimativa atualizada da Emater/RS-Ascar aponta área cultivada de 763.121 hectares em 2026. O número representa queda de 34,56% ante os 1,16 milhão de hectares registrados em 2025 pelo IBGE.
| Indicador | Safra 2026 | Comparação |
|---|---|---|
| Área cultivada | 763.121 hectares | -34,56% sobre 2025 |
| Produção estimada | 2.161.922 toneladas | -37,48% sobre 2025 |
| Produção de 2025 | 3.458.083 toneladas | Dado do IBGE |
A produtividade média projetada fica próxima de 2.833 quilos por hectare. A redução da produção reflete principalmente a menor área semeada, além dos riscos climáticos e da cautela dos produtores diante dos custos e das condições de mercado.
No cenário nacional, a Conab estima produção de aproximadamente 5,7 milhões de toneladas de trigo em 2026, queda de 27,2% em relação ao ciclo anterior. A retração concentra-se principalmente na Região Sul, principal área produtora do cereal no país.
O que observar daqui para frente
O avanço da colheita deve esclarecer a produtividade real e a qualidade dos grãos nas principais regiões produtoras. Produtores devem acompanhar a umidade, o momento de entrada das máquinas, a classificação do trigo e as oportunidades de venda. Para o mercado, os principais pontos serão o ritmo de recebimento, a necessidade de importações e a reação dos preços diante da oferta menor.
Fontes
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