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Czarnikow eleva déficit global de açúcar para 500 mil toneladas em 2026/27

A Czarnikow passou a projetar déficit global de açúcar de 500 mil toneladas em 2026/27, com menor oferta e consumo ainda em alta.

13 de outubro de 2026 3 min de leitura
Czarnikow eleva déficit global de açúcar para 500 mil toneladas em 2026/27

A consultoria Czarnikow elevou para 500 mil toneladas a projeção de déficit global de açúcar na temporada 2026/27. A revisão indica que a oferta mundial ficará abaixo do consumo, aumentando a pressão sobre estoques e preços. O cenário coloca a produção brasileira no centro das atenções, principalmente pela disputa entre açúcar e etanol nas usinas.

O que aconteceu

A nova estimativa representa uma piora em relação ao balanço anterior da consultoria. A Czarnikow havia projetado um resultado mais equilibrado para o ciclo, mas reduziu a expectativa de disponibilidade global diante de sinais de menor produção em importantes países fornecedores.

O Brasil é o principal fator de risco para o mercado. A decisão das usinas sobre o mix de produção depende dos preços relativos do açúcar e do etanol, além das condições da cana e da rentabilidade do petróleo. Quando o etanol ganha competitividade, parte da matéria-prima deixa de ser direcionada à fabricação de açúcar.

A oferta também enfrenta incertezas em países como Índia, Tailândia e integrantes da União Europeia. Problemas climáticos, produtividade agrícola e mudanças no fluxo de exportações podem alterar o balanço ao longo da temporada.

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Por que importa para o agro

Um déficit global tende a dar suporte às cotações internacionais do açúcar. Para as usinas brasileiras, preços externos mais firmes podem melhorar a remuneração das exportações e estimular maior produção de açúcar, desde que o etanol não ofereça retorno superior.

O efeito sobre o produtor de cana ocorre principalmente por meio da remuneração da matéria-prima. Cotações mais altas podem favorecer contratos e aumentar a receita das unidades industriais, mas custos de produção, câmbio e qualidade da cana continuam determinantes para o resultado final.

Dados e contexto

  • A Czarnikow projeta déficit global de 500 mil toneladas de açúcar em 2026/27.
  • O USDA estima produção mundial de 184,9 milhões de toneladas no ciclo, abaixo do período anterior.[1]
  • O consumo humano global é projetado em aproximadamente 180 milhões de toneladas, novo recorde segundo estimativas divulgadas pelo USDA.[1]
  • Para o Brasil, o USDA prevê produção de 42,5 milhões de toneladas de açúcar em 2026/27, queda de cerca de 3% ante a temporada anterior.[2]
  • A produção brasileira de cana é estimada em 675 milhões de toneladas, com o mix industrial projetado em 48% para açúcar e 52% para etanol.[2]
A diferença entre produção e consumo não significa falta imediata de produto em todos os mercados. Estoques remanescentes, importações e ritmo de exportação podem amortecer o impacto. Ainda assim, estoques menores deixam as cotações mais sensíveis a problemas climáticos e logísticos.

O que observar daqui pra frente

O mercado deve acompanhar o avanço da moagem no Centro-Sul, a produtividade dos canaviais e a escolha das usinas entre açúcar e etanol. Também pesam as safras da Índia e da Tailândia, o câmbio brasileiro e a demanda internacional. Revisões negativas de produção ou atrasos na oferta podem ampliar o déficit e sustentar os preços; uma recuperação agrícola acima do esperado pode reduzir essa pressão.

Fontes

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