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Data center no Pecém prioriza água de reúso e avança em licenciamento

Novo data center na ZPE do Pecém tem licença prévia em análise e promete operar com água de reúso, abrindo espaço para serviços digitais e demanda de energia renovável ligada ao agro.

31 de agosto de 2026 5 min de leitura
Data center no Pecém prioriza água de reúso e avança em licenciamento

Um novo data center previsto para a ZPE do Pecém, em Caucaia (CE), está com a licença prévia em análise pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e foi desenhado para operar com água de reúso como fonte prioritária de abastecimento hídrico. O projeto integra a estratégia da ZPE de atrair investimentos intensivos em dados com menor pressão sobre aquíferos locais, em uma região que já concentra indústrias, porto e projetos de hidrogênio verde.

O que aconteceu

Segundo a ZPE Ceará, o projeto passou pela etapa de apresentação dos estudos ambientais e agora aguarda a emissão da licença prévia pela Semace, condição para avançar para obras. A empresa responsável se comprometeu a priorizar água de reúso tratada para resfriamento dos equipamentos, reduzindo o uso de água potável em uma área de vulnerabilidade hídrica.

O empreendimento se soma a outros data centers já aprovados para o Complexo do Pecém, incluindo projetos de grande porte com consumo de energia acima de 100 MW. Em iniciativas anteriores, como o data center da Voltalia, foram divulgados investimentos na casa de R$ 180 bilhões em até quatro anos e a geração de milhares de empregos diretos e indiretos na região.

Por que importa para o agro

A instalação de grandes data centers na ZPE do Pecém fortalece a infraestrutura digital do Nordeste, com impacto direto em armazenamento, processamento e análise de dados usados em agricultura de precisão, rastreabilidade, logística e gestão de risco climático. Mais capacidade de computação próxima dos polos produtores reduz latência para soluções de monitoramento de lavouras, sensores em tempo real, plataformas de comercialização e serviços financeiros voltados ao produtor.

Ao priorizar água de reúso e energia renovável, o projeto dialoga com a agenda de sustentabilidade hídrica e energética que já influencia cadeias agroindustriais, especialmente em regiões semiáridas. A expansão de usinas eólicas e solares associadas aos data centers amplia a oferta de energia firme para agroindústrias, armazenagem refrigerada, processamento de grãos e carnes, além de operações portuárias ligadas à exportação.

Dados e contexto

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém se consolidou como hub de grandes projetos intensivos em energia e água, incluindo siderurgia, plantas de hidrogênio verde e múltiplos data centers.

O governo cearense firmou parceria público-privada para produção de água de reúso a partir de esgoto da Região Metropolitana de Fortaleza, com fornecimento dedicado à ZPE e ao hub de hidrogênio verde. Esse sistema é operado por uma empresa formada por Cagece e parceiros privados, com captação em estação de produção de água de reúso.

Projetos anteriores de data center na região preveem consumos hídricos na casa de dezenas de metros cúbicos por dia, com parte destinada ao resfriamento dos servidores e parte ao uso humano e predial. A adoção de reúso diminui o risco de rebaixamento de aquíferos e conflitos pelo uso de água com comunidades e atividades produtivas.

Do lado regulatório, tramita no Ceará projeto de lei que exige plano de gestão hídrica para novos data centers de grande porte. Entre os pontos estão estimativa de consumo, indicação de fontes de água de reúso, medidas de eficiência hídrica e reaproveitamento, além de mecanismos de monitoramento e controle.

A seguir, um resumo do cenário na ZPE do Pecém:

FatorSituação na ZPE do Pecém
ÁguaPrioridade para água de reúso tratada para data centers e hub de H2V
EnergiaExpansão de parques eólicos e solares dedicados aos empreendimentos
LicenciamentoData centers de grande porte passam por LP, LI e LO, com exigência de estudos de impacto
ComunidadesDiscussões em comitês de bacias sobre riscos de escassez hídrica e necessidade de salvaguardas

Para o agro, esse contexto significa acesso crescente a infraestrutura digital de alto desempenho em um ambiente que tenta reduzir conflitos hídricos com outras atividades produtivas, inclusive irrigação.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas da cadeia agroindustrial devem acompanhar a definição da licença prévia, o detalhamento do plano de gestão hídrica e a expansão da rede de energia renovável associada aos data centers. A chave será verificar se o uso de água de reúso se consolida na prática, com monitoramento transparente, garantindo que o avanço da infraestrutura digital não pressione mananciais usados por comunidades rurais, perímetros irrigados e projetos de agroindústria que dependem da mesma região.

Fontes

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