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DDG amplia espaço no mercado de aves, suínos e exportação

Indústria de etanol de milho aumenta a produção de DDG e busca novos mercados para o coproduto, incluindo aves, suínos e exportações.

01 de outubro de 2026 4 min de leitura
DDG amplia espaço no mercado de aves, suínos e exportação

A indústria brasileira de etanol de milho está ampliando a produção e a comercialização do DDG, coproduto rico em proteínas, fibras e energia. O setor busca reduzir a dependência do mercado de bovinos e avançar sobre as cadeias de aves e suínos, além de conquistar compradores no exterior.

O movimento acompanha o crescimento das usinas de etanol de milho no país. Ao processar o grão, as unidades geram etanol e coprodutos que retornam à cadeia de proteínas animais. Com maior oferta, as empresas precisam diversificar os destinos do DDG e desenvolver formulações adequadas para diferentes espécies.

O que aconteceu

O DDG, sigla em inglês para grãos secos de destilaria, é obtido após a fermentação do milho para a produção de etanol. O produto concentra parte dos nutrientes do grão e pode ser usado na alimentação animal, desde que a formulação considere sua composição, qualidade e limites de inclusão.

A indústria trabalha para ampliar o uso do ingrediente em rações de frangos e suínos. Essas cadeias têm grande consumo de milho e farelo de soja, mas exigem controle preciso de aminoácidos, energia, fibras, minerais e umidade. A qualidade do DDG varia conforme a matéria-prima e o processo industrial.

As empresas também miram o mercado externo. A exportação pode absorver parte do excedente, melhorar a liquidez do produto e reduzir a concentração das vendas no mercado pecuário brasileiro. Para isso, são necessários padrões comerciais, regularidade de oferta e logística competitiva.

Por que importa para o agro

O avanço do etanol de milho cria uma nova demanda para o cereal e fortalece a integração entre agricultura, energia e produção de proteína animal. O processamento agrega valor ao milho e gera uma fonte adicional de receita para as usinas, enquanto o DDG pode substituir parcialmente ingredientes tradicionais das rações.

Para produtores de aves e suínos, o coproduto pode ampliar as opções de compra e reduzir custos em determinados cenários. A substituição não é automática: depende do preço relativo entre DDG, milho e farelo de soja, além da disponibilidade regional e da formulação feita por nutricionistas.

Dados e contexto

  • Na safra 2025/26, a Conab projeta 22,2 milhões de toneladas de milho destinadas à produção de etanol. O volume supera as 630 mil toneladas registradas na safra 2016/17.
  • A Conab estima que uma tonelada de milho pode gerar cerca de 400 litros de etanol, além de coprodutos como DDG e WDG.
  • A produção brasileira de etanol de milho é projetada em 8,7 bilhões de litros no ciclo 2025/26, ante 7,8 bilhões no ciclo anterior.
  • Segundo a Embrapa, o milho pode representar até 80% da composição das dietas de aves e suínos no Brasil.
  • Estudo da Embrapa aponta maior viabilidade econômica do DDG de alta proteína em dietas de frangos e suínos, dependendo dos preços e das condições de formulação.
O uso em animais monogástricos exige atenção especial. A Embrapa recomenda que a inclusão seja definida com base na dieta completa e nas exigências nutricionais de cada fase de criação. Também pode ser necessário suplementar aminoácidos, como lisina.

O que observar daqui para frente

A expansão do DDG dependerá da capacidade das usinas de manter padrão nutricional, regularidade e preços competitivos. No mercado interno, o avanço sobre aves e suínos será condicionado à validação técnica e ao custo frente ao milho e ao farelo de soja. No exterior, certificações, logística e abertura de novos destinos serão decisivas.

Fontes

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