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DDGS de sorgo entra na dieta de gado de corte em confinamento

Pesquisa inédita testa DDGS de sorgo em substituição ao milho na terminação de bovinos confinados e avalia desempenho e carcaça.

23 de agosto de 2026 4 min de leitura
DDGS de sorgo entra na dieta de gado de corte em confinamento

Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com a Inpasa, está testando o uso de DDGS de sorgo puro na alimentação de bovinos de corte em confinamento. A pesquisa avalia a substituição gradual do milho pelo coproduto e mede consumo, ganho de peso, conversão alimentar e rendimento de carcaça, indicando um novo caminho para reduzir custo de ração com foco em desempenho.

O que aconteceu

O experimento acompanha lotes de bovinos em terminação recebendo dietas com níveis crescentes de DDGS de sorgo, comercializado pela Inpasa sob a marca FortiPro. O milho da dieta é substituído em etapas, de 0% até cerca de 50% da matéria seca, mantendo o restante dos ingredientes da formulação.

Os pesquisadores monitoram o consumo diário, ganho médio de peso, eficiência de conversão e parâmetros de carcaça ao abate. O objetivo é verificar se o DDGS de sorgo consegue manter ou melhorar o desempenho quando comparado ao milho, e qual o limite econômico e nutricional de inclusão para gado de corte.

Segundo a Inpasa, este é o primeiro estudo científico no Brasil dedicado exclusivamente ao uso de DDGS produzido 100% a partir de sorgo em dietas de bovinos confinados, voltado a condições práticas da pecuária nacional.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o DDGS de sorgo representa uma alternativa ao milho em cenários de preço alto ou oferta limitada. Co-produtos de etanol, como DDGS, costumam ter alto teor de proteína e fibra digestível e baixo amido, ajudando a reduzir risco de acidose em dietas energéticas de confinamento.

Se os resultados confirmarem bom desempenho e carcaça, o DDGS de sorgo pode entrar de forma mais estruturada nas formulações de confinamento, ampliando o leque de insumos e fortalecendo a integração entre pecuária e indústria de biocombustíveis. Isso tende a beneficiar regiões com usinas de etanol de sorgo, reduzindo custo logístico e estabilizando a oferta de ingredientes.

Dados e contexto

Estudos com DDGS de milho em bovinos de corte mostram que níveis de inclusão de até 40–45% da matéria seca da dieta podem manter desempenho, fermentação ruminal e qualidade de carcaça, com possibilidade de substituir totalmente farelo de soja e caroço de algodão e parte do milho moído.[8][10][11]

Pesquisas compiladas por Embrapa indicam que a composição nutricional do DDGS de sorgo é semelhante à do DDGS de milho, com proteína elevada, energia moderada e teor muito baixo de amido, o que favorece uso em dietas de alta energia sem piorar o ambiente ruminal.[3][12]

Alguns resultados de trabalhos com DDG/DDGS em bovinos de corte:

Aspecto avaliadoResultado em dietas com DDGS
Desempenho em confinamentoInclusões de até **40–45%** não reduzem ganho de peso nem desempenho geral[8][11]
Fermentação ruminalPadrões de fermentação mantidos, com ajuste da relação acetato/propionato e melhor aproveitamento da dieta[7][15]
Substituição de ingredientesPossível substituir farelo de soja, caroço de algodão e parte do milho sem queda de performance[8][15]

A literatura brasileira e internacional aponta ainda que DDGS pode ser usado como fonte de proteína degradável e não degradável no rúmen, facilitando o ajuste fino de dietas em sistemas de cria, recria e engorda, inclusive em confinamento.[5][13]

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos dependem dos resultados finais de desempenho, custo por arroba produzida e qualidade de carcaça com diferentes níveis de DDGS de sorgo. Produtores devem acompanhar recomendações oficiais de universidades e instituições como Embrapa para definir níveis seguros de inclusão, avaliar disponibilidade regional do coproduto e negociar contratos com usinas de etanol. Se os dados confirmarem estabilidade de desempenho e vantagem econômica frente ao milho, o DDGS de sorgo tende a ganhar espaço rápido na formulação de dietas de confinamento.

Fontes

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