Tecnologia

Pesquisadores transformam feijão quebrado em proteína para bebidas e snacks

Tecnologia do Ital usa grãos quebrados de feijão carioca para criar ingrediente proteico com aplicação em bebidas, cappuccino e snacks.

23 de agosto de 2026 3 min de leitura
Pesquisadores transformam feijão quebrado em proteína para bebidas e snacks

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), em Campinas (SP), desenvolveram uma proteína concentrada a partir de grãos quebrados de feijão carioca. O ingrediente tem entre 40% e 50% de proteína e pode ser usado em bebidas, pós instantâneos, cappuccino e snacks.

A proposta é dar destino a um coproduto de menor valor comercial, reduzir perdas no beneficiamento e ampliar o uso industrial do feijão. O produto já passou por testes de aplicação em alimentos e segue em avaliação para escala industrial.

O que aconteceu

A pesquisa aproveita as chamadas bandinhas, nome dado aos grãos partidos durante o beneficiamento do feijão. Em vez de seguir para usos de baixo valor, esse material virou base para um ingrediente proteico com perfil nutricional relevante.

Segundo o Canal Rural, a proteína foi criada por pesquisadores do Ital e tem aplicação em diferentes formulações. Entre os testes já feitos estão um cappuccino sem açúcar, com 5 gramas de proteína por porção, além de bebidas vegetais fermentadas e saborizadas.

A equipe também desenvolveu snacks nas versões neutra, salgada e doce. A ideia é mostrar que o feijão pode ir além do consumo tradicional e entrar em categorias de maior valor agregado.

Por que importa para o agro

A tecnologia pode abrir uma nova frente de receita para a cadeia do feijão. O que hoje é tratado como quebra de processamento pode virar insumo para a indústria de alimentos, com potencial de elevar o valor do grão e reduzir desperdícios.

Para o produtor e para as beneficiadoras, isso interessa porque amplia o aproveitamento do volume colhido. Em um mercado pressionado por margens apertadas, qualquer uso adicional de coprodutos ajuda a melhorar a rentabilidade e a competitividade do feijão brasileiro.

Dados e contexto

IndicadorDado
Proteína do ingrediente**40% a 50%**
Porção do cappuccino teste**5 g de proteína**
Matéria-primafeijão carioca quebrado
Instituição responsávelItal, em Campinas (SP)
Etapa atualtestes de processamento em escala industrial

A própria Embrapa já vinha avançando em ingredientes proteicos de feijão carioca. Em projeto divulgado pela estatal, concentrados proteicos de pulses podem ter mínimo de 60% de proteína e são estudados para uso em alimentos, bebidas e suplementos. Isso mostra que o tema saiu do laboratório e entrou na rota de industrialização.

No Brasil, a busca por proteínas vegetais ganhou força com o avanço de bebidas, snacks e produtos plant-based. Nesse cenário, o feijão tem vantagem clara: é uma matéria-prima nacional, conhecida do consumidor e com oferta consolidada na cadeia agrícola.

O que observar daqui pra frente

O próximo passo é medir se o ingrediente funciona em escala industrial com custo competitivo e padrão estável de qualidade. Se isso avançar, a tecnologia pode interessar a indústrias de bebidas, panificação, suplementos e alimentos vegetais.

O ponto decisivo será transformar o resultado técnico em produto comercial. Se houver viabilidade econômica, o feijão quebrado pode deixar de ser descarte ou subproduto e virar insumo com mercado próprio, dentro e fora do país.

Fontes

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