Pesquisadores transformam feijão quebrado em proteína para bebidas e snacks
Tecnologia do Ital usa grãos quebrados de feijão carioca para criar ingrediente proteico com aplicação em bebidas, cappuccino e snacks.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), em Campinas (SP), desenvolveram uma proteína concentrada a partir de grãos quebrados de feijão carioca. O ingrediente tem entre 40% e 50% de proteína e pode ser usado em bebidas, pós instantâneos, cappuccino e snacks.
A proposta é dar destino a um coproduto de menor valor comercial, reduzir perdas no beneficiamento e ampliar o uso industrial do feijão. O produto já passou por testes de aplicação em alimentos e segue em avaliação para escala industrial.
O que aconteceu
A pesquisa aproveita as chamadas bandinhas, nome dado aos grãos partidos durante o beneficiamento do feijão. Em vez de seguir para usos de baixo valor, esse material virou base para um ingrediente proteico com perfil nutricional relevante.
Segundo o Canal Rural, a proteína foi criada por pesquisadores do Ital e tem aplicação em diferentes formulações. Entre os testes já feitos estão um cappuccino sem açúcar, com 5 gramas de proteína por porção, além de bebidas vegetais fermentadas e saborizadas.
A equipe também desenvolveu snacks nas versões neutra, salgada e doce. A ideia é mostrar que o feijão pode ir além do consumo tradicional e entrar em categorias de maior valor agregado.
Por que importa para o agro
A tecnologia pode abrir uma nova frente de receita para a cadeia do feijão. O que hoje é tratado como quebra de processamento pode virar insumo para a indústria de alimentos, com potencial de elevar o valor do grão e reduzir desperdícios.
Para o produtor e para as beneficiadoras, isso interessa porque amplia o aproveitamento do volume colhido. Em um mercado pressionado por margens apertadas, qualquer uso adicional de coprodutos ajuda a melhorar a rentabilidade e a competitividade do feijão brasileiro.
Dados e contexto
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Proteína do ingrediente | **40% a 50%** |
| Porção do cappuccino teste | **5 g de proteína** |
| Matéria-prima | feijão carioca quebrado |
| Instituição responsável | Ital, em Campinas (SP) |
| Etapa atual | testes de processamento em escala industrial |
A própria Embrapa já vinha avançando em ingredientes proteicos de feijão carioca. Em projeto divulgado pela estatal, concentrados proteicos de pulses podem ter mínimo de 60% de proteína e são estudados para uso em alimentos, bebidas e suplementos. Isso mostra que o tema saiu do laboratório e entrou na rota de industrialização.
No Brasil, a busca por proteínas vegetais ganhou força com o avanço de bebidas, snacks e produtos plant-based. Nesse cenário, o feijão tem vantagem clara: é uma matéria-prima nacional, conhecida do consumidor e com oferta consolidada na cadeia agrícola.
O que observar daqui pra frente
O próximo passo é medir se o ingrediente funciona em escala industrial com custo competitivo e padrão estável de qualidade. Se isso avançar, a tecnologia pode interessar a indústrias de bebidas, panificação, suplementos e alimentos vegetais.
O ponto decisivo será transformar o resultado técnico em produto comercial. Se houver viabilidade econômica, o feijão quebrado pode deixar de ser descarte ou subproduto e virar insumo com mercado próprio, dentro e fora do país.
Fontes
- Canal Rural – Pesquisadores transformam grãos quebrados de feijão em proteína para bebidas, cappuccino e snacks
- Canal Rural – Pesquisa desenvolve concentrado proteico de feijão carioca
- Embrapa – Desenvolvimento de insumos proteicos vegetais a partir de pulses
- cnnbrasil.com.br
- repositorio.ufsc.br
- folhadeparaguacu.com.br
- menucomsaude.com.br
- saude.abril.com.br
- belezadocampo.com.br
- agroemcampo.ig.com.br
- ground.news
- canalrural.com.br
- ibrafe.org
- coppe.ufrj.br
Continue lendo
Novonesis amplia produção de enzimas para atender etanol de milho
Novonesis amplia a produção de enzimas e leveduras para acompanhar o crescimento da indústria brasileira de etanol de milho.

Projeto propõe apoio à rastreabilidade bovina para pequenos produtores
PL 3332/26 prevê financiamento, capacitação e assistência técnica para ampliar a rastreabilidade do gado entre agricultores familiares.

Truta amarela supera linhagem comum em peso no ponto de abate
Pesquisa do Instituto de Pesca mostra que a truta amarela atingiu 300 gramas aos 270 dias, acima dos 237 gramas da variedade comum.