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Demanda aquecida mantém soja valorizada no Brasil e em Chicago

Procura forte e oferta limitada seguram preços da soja no Brasil, mesmo com dólar mais fraco, apoiados pela alta em Chicago e prêmios firmes.

23 de julho de 2026 4 min de leitura
Demanda aquecida mantém soja valorizada no Brasil e em Chicago

O mercado brasileiro de soja voltou a registrar cotações firmes, impulsionado pela demanda aquecida, prêmios de exportação elevados e alta mais intensa na Bolsa de Chicago. Mesmo com o dólar em queda, os preços seguem sustentados pela pouca oferta no disponível, já que produtores continuam retendo produto, o que mantém o poder de barganha na negociação.

O que aconteceu

Nesta quarta-feira, as principais praças brasileiras voltaram a operar com preços firmes para a soja, em linha com o movimento de alta dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).[1] A valorização do petróleo, em meio a tensões geopolíticas, reforçou o avanço das commodities agrícolas, ajudando a puxar os preços da oleaginosa.[1]

Segundo análise da Safras & Mercado, a desvalorização do dólar não trouxe pressão negativa ao mercado interno, justamente porque a demanda segue aquecida e o produtor vende pouco.[1] Com isso, a oferta imediata de soja continua limitada, o que sustenta as cotações nos portos e nas regiões de esmagamento.

Na CBOT, o contrato de soja em grão para agosto fechou em alta de 13,50 centavos de dólar (1,10%), a US$ 12,33 por bushel, enquanto novembro encerrou a US$ 12,39 por bushel, avanço de 16,25 centavos (1,32%).[1] No Brasil, o dólar comercial caiu cerca de 0,41%, cotado próximo de R$ 5,05, mas sem tirar o fôlego do mercado físico.[1]

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Por que importa para o agro

Para o produtor, esse cenário combina preços internacionais em recuperação com uma taxa de câmbio ainda em patamar favorável, mesmo com a leve queda diária. A retenção de oferta no interior ajuda a manter o mercado comprador ativo, especialmente exportadores e indústrias, que precisam recompor estoques diante da demanda externa aquecida.[1][2]

Na prática, quem tem soja armazenada ganha tempo para travar negócios em níveis mais interessantes, seja via exportação, seja com indústria de esmagamento. Ao mesmo tempo, a combinação de Chicago em alta, prêmios firmes e câmbio ainda acima de R$ 5,00 mantém a paridade de exportação competitiva, apoiando a comercialização da safra atual e já influenciando posições para a próxima temporada.[1][2]

Dados e contexto

  • Chicago (CBOT) – soja em grão:
- Agosto: US$ 12,33/bu, alta de 13,50 centavos (1,10%).[1] - Novembro: US$ 12,39/bu, alta de 16,25 centavos (1,32%).[1]
  • Subprodutos:
- Farelo agosto: US$ 331,60/t, alta de US$ 4,90 (1,49%).[1]
  • Câmbio:
- Dólar comercial: queda de 0,41%, cerca de R$ 5,05 na venda.[1]
  • Mercado interno:
- Demanda externa aquecida sustenta negócios nos portos brasileiros.[1][2] - Produtores com postura retraída, vendendo em ritmo lento e segurando estoques.[1][2]

A Conab projeta safra brasileira de soja em torno de 147 milhões de toneladas em 2023/24, após problemas climáticos em algumas regiões.[9] Mesmo com boa produção, o fluxo de exportação segue intenso, com o Brasil consolidado como maior fornecedor global, o que reforça a importância da demanda externa nas referências de preço.

Instituições como Cepea/Esalq e Safras & Mercado apontam que a postura defensiva do produtor, somada ao apetite dos importadores, tem sido peça-chave na manutenção de preços acima de patamares observados no início da colheita.[1][2] Esse comportamento comercial é decisivo para o equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o foco deve permanecer em três variáveis: ritmo de compras da China e de outros importadores, comportamento do petróleo e do câmbio e evolução das condições climáticas nas principais regiões produtoras dos EUA e do Brasil. Mudanças nesses fatores podem trazer volatilidade importante, abrindo janelas pontuais de oportunidade para fixação de preços, tanto no mercado físico quanto em operações de hedge com futuros e opções em Chicago.

Fontes

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