Manejo

Deriva de herbicidas gera prejuízo de R$ 210 milhões na vitivinicultura do RS

Estudo aponta que a deriva de herbicidas já causou R$ 210 milhões em perdas à vitivinicultura gaúcha entre 2018 e 2025.

15 de agosto de 2026 3 min de leitura
Deriva de herbicidas gera prejuízo de R$ 210 milhões na vitivinicultura do RS

A deriva de herbicidas no Rio Grande do Sul já causou R$ 210 milhões em prejuízos à vitivinicultura entre 2018 e 2025, segundo levantamento divulgado pelo setor. O impacto atinge uvas viníferas e áreas produtivas em várias regiões do estado, com efeito direto sobre produção, custo de manejo e renovação de vinhedos.

O problema importa porque não se limita à perda de safra. Ele afeta a renda do produtor, pressiona investimentos e aumenta a insegurança para culturas sensíveis, como uva, maçã e outras frutíferas de maior valor agregado.

O que aconteceu

O estudo reunido pelo Consevitis-RS mostra que a deriva de herbicidas hormonais, especialmente em áreas de soja, contaminou vinhedos e provocou danos recorrentes em propriedades gaúchas. O levantamento estima R$ 161,6 milhões em impactos econômicos nos casos registrados e um total de R$ 210 milhões ao considerar perdas de produção, custos extras de manejo e renovação de áreas atingidas.

A área afetada passa de 700 hectares de vinhedos, segundo os dados divulgados. O relatório também indica que, se nada mudar, os prejuízos podem somar mais R$ 150,1 milhões nos próximos cinco anos.

A deriva ocorre quando o herbicida sai da área de aplicação e atinge lavouras vizinhas. No caso gaúcho, o problema aparece com mais força em regiões de convivência entre soja e culturas sensíveis, o que amplia conflito entre cadeias produtivas.

Por que importa para o agro

Para o produtor de uva, o dano não é pontual. A planta pode perder vigor, reduzir produtividade por vários ciclos e exigir replantio, o que encarece a atividade e afeta o caixa por anos.

Para o agro como um todo, o caso mostra um risco de convivência produtiva mal resolvida. Quando a aplicação de um insumo em uma cultura causa perdas em outra, o problema deixa de ser apenas agronômico e passa a ser também econômico, jurídico e regulatório.

Dados e contexto

IndicadorDado
Prejuízo total estimado**R$ 210 milhões**
Impacto em casos registrados**R$ 161,6 milhões**
Área afetada**Mais de 700 hectares**
Projeção para 5 anos**R$ 150,1 milhões**
Período analisado**2018 a 2025**

A deriva de herbicidas já vinha sendo apontada por órgãos estaduais e técnicos no RS há anos. A Secretaria da Agricultura do estado registrou denúncias e laudos positivos em diferentes safras, o que mostra que o problema é recorrente e não episódico.

A Embrapa também trata a deriva como risco conhecido no uso de herbicidas, com impacto direto sobre desenvolvimento e produtividade de culturas vizinhas. Em áreas de maior sensibilidade, a perda pode se prolongar por várias safras, dependendo da intensidade da exposição e do manejo adotado.

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar se o estado vai reforçar regras de aplicação, monitoramento e fiscalização, especialmente em períodos de maior risco climático. Também importa saber se haverá avanço em tecnologia de pulverização, treinamento de aplicadores e distanciamento entre áreas de soja e vinhedos.

Para o produtor, o foco tende a ser prevenção. Registro de ocorrência, laudos técnicos e adoção de barreiras de proteção são medidas que podem reduzir disputa, acelerar resposta e limitar prejuízos em novas safras.

Fontes

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