Drones e IA ajudam confinamentos a definir o ponto ideal de abate
Tecnologia da Embrapa usa drones e inteligência artificial para estimar peso de bovinos em confinamento e indicar o melhor momento de abate, reduzindo custos.
Uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa Agricultura Digital e parceiros está usando drones e inteligência artificial para estimar o peso de bovinos em confinamento e apontar o melhor momento de abate. O sistema promete cortar custos com manejo, aumentar a precisão na tomada de decisão e reduzir erros comuns no “olhômetro”, ainda muito usado na pecuária de corte.
O que aconteceu
Pesquisadores da Embrapa criaram um modelo que analisa imagens aéreas de lotes de gado em confinamento para estimar o peso dos animais. Os drones sobrevoam os currais, capturam as imagens e um algoritmo de IA processa essas informações, gerando estimativas de peso e curva de ganho diário por lote.
Com esses dados, o sistema indica quando o animal atinge o chamado ponto ótimo de abate: momento em que o ganho de peso começa a desacelerar e o custo de manutenção no cocho passa a pesar mais do que o retorno na arroba produzida. O produtor recebe relatórios com gráficos e alertas, o que facilita decisões sobre venda, rotação de lotes e planejamento de escala de frigoríficos.
A solução foi testada em confinamentos comerciais, com milhares de cabeças, e demonstrou boa proximidade entre o peso estimado por IA e o peso real de frigorífico. A tecnologia ainda está em fase de validação e ajustes, mas já é vista como ferramenta para integração com softwares de gestão e plataformas de monitoramento de rebanho.
Por que importa para o agro
No confinamento, cada dia de cocho tem custo alto com ração, sanidade, energia e mão de obra. Errar o ponto de abate significa perder margem: ou abate o boi mais leve, com menos arrobas, ou mantém tempo demais no cocho, gastando ração sem retorno proporcional em carcaça. A automação dessa decisão reduz desperdícios e ajuda a fechar a conta no azul.
A tecnologia também diminui a necessidade de pesagens frequentes em balanças físicas, operação trabalhosa, estressante para o animal e que exige estrutura. Com drones e IA, o confinador ganha visão mais contínua da performance dos lotes, o que melhora o manejo nutricional, a detecção de problemas sanitários e a seleção de genética mais eficiente.
Dados e contexto
A pecuária de corte brasileira movimenta bilhões de reais por ano e mantém o país entre os maiores exportadores de carne bovina do mundo, segundo o Mapa e o USDA. O confinamento tem papel crescente nessa cadeia, principalmente em anos de retenção de fêmeas e oferta mais ajustada de boi gordo.
Estudos da Embrapa Gado de Corte indicam que a alimentação pode representar 70% a 80% do custo operacional de um confinamento. Um erro de poucos dias no tempo de permanência pode comprometer a rentabilidade do lote. Ao mesmo tempo, muitos produtores ainda se baseiam na experiência visual para decidir o abate.
A tendência de digitalização da pecuária vem se acelerando:
- Sistemas de pesagem automática em currais e bebedouros
- Colares, brincos eletrônicos e sensores de monitoramento
- Plataformas de gestão de dados zootécnicos e de nutrição
| Indicador em confinamento | Relevância para IA e drones |
|---|---|
| Custo de alimentação (70–80% do custo) | Define sensibilidade ao erro no tempo de abate |
| Número de cabeças por lote | Impacta a escala e o ganho de eficiência da tecnologia |
| Peso de abate alvo (ex. 19–21@) | Serve de referência para o algoritmo ajustar recomendações |
O que observar daqui pra frente
Os próximos passos envolvem ampliar testes em diferentes sistemas de produção, raças e regiões, além de integrar a solução a plataformas comerciais de gestão de confinamento. Produtores devem ficar atentos a custo de adoção, facilidade de uso e qualidade dos dados gerados. Quem conseguir combinar IA, manejo nutricional bem-feito e gestão rigorosa de custos tende a ganhar vantagem competitiva na negociação com frigoríficos e na eficiência por arroba produzida.
Fontes
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