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Drones e IA ajudam confinamentos a definir o ponto ideal de abate

Tecnologia da Embrapa usa drones e inteligência artificial para estimar peso de bovinos em confinamento e indicar o melhor momento de abate, reduzindo custos.

17 de maio de 2026 4 min de leitura
Drones e IA ajudam confinamentos a definir o ponto ideal de abate

Uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa Agricultura Digital e parceiros está usando drones e inteligência artificial para estimar o peso de bovinos em confinamento e apontar o melhor momento de abate. O sistema promete cortar custos com manejo, aumentar a precisão na tomada de decisão e reduzir erros comuns no “olhômetro”, ainda muito usado na pecuária de corte.

O que aconteceu

Pesquisadores da Embrapa criaram um modelo que analisa imagens aéreas de lotes de gado em confinamento para estimar o peso dos animais. Os drones sobrevoam os currais, capturam as imagens e um algoritmo de IA processa essas informações, gerando estimativas de peso e curva de ganho diário por lote.

Com esses dados, o sistema indica quando o animal atinge o chamado ponto ótimo de abate: momento em que o ganho de peso começa a desacelerar e o custo de manutenção no cocho passa a pesar mais do que o retorno na arroba produzida. O produtor recebe relatórios com gráficos e alertas, o que facilita decisões sobre venda, rotação de lotes e planejamento de escala de frigoríficos.

A solução foi testada em confinamentos comerciais, com milhares de cabeças, e demonstrou boa proximidade entre o peso estimado por IA e o peso real de frigorífico. A tecnologia ainda está em fase de validação e ajustes, mas já é vista como ferramenta para integração com softwares de gestão e plataformas de monitoramento de rebanho.

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Por que importa para o agro

No confinamento, cada dia de cocho tem custo alto com ração, sanidade, energia e mão de obra. Errar o ponto de abate significa perder margem: ou abate o boi mais leve, com menos arrobas, ou mantém tempo demais no cocho, gastando ração sem retorno proporcional em carcaça. A automação dessa decisão reduz desperdícios e ajuda a fechar a conta no azul.

A tecnologia também diminui a necessidade de pesagens frequentes em balanças físicas, operação trabalhosa, estressante para o animal e que exige estrutura. Com drones e IA, o confinador ganha visão mais contínua da performance dos lotes, o que melhora o manejo nutricional, a detecção de problemas sanitários e a seleção de genética mais eficiente.

Dados e contexto

A pecuária de corte brasileira movimenta bilhões de reais por ano e mantém o país entre os maiores exportadores de carne bovina do mundo, segundo o Mapa e o USDA. O confinamento tem papel crescente nessa cadeia, principalmente em anos de retenção de fêmeas e oferta mais ajustada de boi gordo.

Estudos da Embrapa Gado de Corte indicam que a alimentação pode representar 70% a 80% do custo operacional de um confinamento. Um erro de poucos dias no tempo de permanência pode comprometer a rentabilidade do lote. Ao mesmo tempo, muitos produtores ainda se baseiam na experiência visual para decidir o abate.

A tendência de digitalização da pecuária vem se acelerando:

  • Sistemas de pesagem automática em currais e bebedouros
  • Colares, brincos eletrônicos e sensores de monitoramento
  • Plataformas de gestão de dados zootécnicos e de nutrição
Ferramentas de IA como a da Embrapa se somam a esse movimento, oferecendo análise de dados em escala, com menos intervenção manual. Em outras iniciativas, empresas de tecnologia já usam algoritmos para prever ganho de peso, consumo de ração e risco sanitário, reforçando a transição para uma pecuária de precisão.
Indicador em confinamentoRelevância para IA e drones
Custo de alimentação (70–80% do custo)Define sensibilidade ao erro no tempo de abate
Número de cabeças por loteImpacta a escala e o ganho de eficiência da tecnologia
Peso de abate alvo (ex. 19–21@)Serve de referência para o algoritmo ajustar recomendações

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos envolvem ampliar testes em diferentes sistemas de produção, raças e regiões, além de integrar a solução a plataformas comerciais de gestão de confinamento. Produtores devem ficar atentos a custo de adoção, facilidade de uso e qualidade dos dados gerados. Quem conseguir combinar IA, manejo nutricional bem-feito e gestão rigorosa de custos tende a ganhar vantagem competitiva na negociação com frigoríficos e na eficiência por arroba produzida.

Fontes

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