Drones são testados para controle de carrapatos em bovinos
Pesquisadores testam drones para aplicar produtos contra carrapatos em bovinos, reduzindo mão de obra, custo e risco de intoxicação em fazendas.
Pesquisadores brasileiros estão testando o uso de drones para aplicar produtos no controle de carrapatos em bovinos. A tecnologia busca reduzir custos de mão de obra, aumentar a precisão das aplicações e diminuir o contato direto dos trabalhadores com produtos químicos, um dos principais problemas no manejo sanitário de rebanhos de corte e leite.
O que aconteceu
Em projeto piloto mostrado pelo Canal Rural, uma equipe de pesquisadores adaptou drones agrícolas para pulverização direcionada sobre bovinos em área de manejo. Os equipamentos realizam voo programado sobre os animais, com ajuste de altura, velocidade e volume de calda para tentar garantir cobertura adequada do produto nos pontos críticos do corpo do gado.
Os testes avaliam diferentes bicos, vazões e formulações, comparando o método aéreo com o banho de imersão tradicional e com pulverizadores costais. O objetivo é medir eficácia no controle do carrapato, tempo de operação, consumo de produto e impacto no bem-estar animal, além de verificar a aceitação dos animais à presença do drone.
A pesquisa também considera aspectos regulatórios, como registro de equipamentos e produtos para esse tipo de aplicação, e a necessidade de treinamento de operadores. A fase atual é de testes controlados, com acompanhamento técnico e coleta de dados para validar o protocolo antes de uma possível recomendação comercial.
Por que importa para o agro
O carrapato-do-boi é um dos principais problemas sanitários da pecuária de corte e leite, com impacto direto em ganho de peso, produção de leite e custo de produção. Tecnologias que aumentem a eficiência do controle e reduzam o uso indiscriminado de carrapaticidas podem melhorar a rentabilidade da atividade e diminuir perdas invisíveis no rebanho.
O uso de drones pode ajudar fazendas com grande número de animais ou topografia difícil, onde o manejo em currais é mais caro e demorado. A automatização da aplicação também tende a reduzir erros de dose e exposição de funcionários a produtos químicos, um ponto sensível em auditorias de bem-estar animal e em protocolos de produção sustentável.
Dados e contexto
Estudos da Embrapa Gado de Corte indicam que o carrapato pode causar perdas de até US$ 3,24 bilhões/ano na pecuária brasileira, somando queda de produtividade, custo de medicamentos e mão de obra. Em rebanhos leiteiros, infestações crônicas reduzem produção e aumentam descarte precoce de vacas.
Levantamentos da Embrapa mostram que muitos produtores ainda usam carrapaticidas sem respeitar dose, carência e rotação de princípios ativos, o que favorece resistência. A automação com drones pode facilitar protocolos mais padronizados e rastreáveis.
Na agricultura, drones de pulverização já são usados em culturas como soja, milho e café, com regulamentação pela Anac e diretrizes técnicas do MAPA. A migração dessa tecnologia para o manejo sanitário animal é um passo natural, mas exige comprovação de segurança e eficácia específica para bovinos.
| Indicador | Valor/Informação aproximada |
|---|---|
| Perdas anuais com carrapato no Brasil (Embrapa) | ~US$ 3,24 bilhões |
| Tipo de tecnologia | Drone de pulverização adaptado ao gado | | Benefícios buscados | Menos mão de obra, mais segurança e precisão | | Desafios | Regulamentação, custo inicial, validação de eficácia |
O que observar daqui pra frente
Produtores e técnicos devem acompanhar os resultados dos ensaios em andamento e eventuais publicações técnicas sobre eficácia, custo por animal tratado e exigências legais. Se os testes confirmarem bom controle de carrapatos com segurança para animais, pessoas e ambiente, o uso de drones pode entrar no pacote tecnológico da pecuária, especialmente em propriedades médias e grandes, abrindo espaço também para serviços terceirizados de aplicação.
Fontes
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