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Durigan condiciona queda dos juros a ajuste fiscal permanente

Ministro da Fazenda diz que equilíbrio das contas públicas e medidas estruturais são necessários para reduzir o risco e abrir espaço para juros menores.

26 de setembro de 2026 4 min de leitura
Durigan condiciona queda dos juros a ajuste fiscal permanente

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a redução sustentável dos juros depende de um ajuste fiscal permanente e de medidas estruturais. A avaliação ocorre em um momento de crédito ainda caro no Brasil, com impacto direto sobre empresas, consumidores e produtores rurais.

O que aconteceu

Durigan defendeu a continuidade da trajetória de resultado fiscal prevista pelo governo. Segundo o ministro, o equilíbrio das contas públicas pode reduzir o prêmio de risco — a remuneração adicional exigida pelos investidores para financiar o país — e criar condições para juros menores.

A agenda citada inclui a revisão de benefícios tributários considerados ineficientes, o combate a privilégios e a racionalização do Estado. Para Durigan, essas ações precisam ser permanentes, e não medidas pontuais adotadas apenas em períodos de pressão sobre o orçamento.

O ministro também afirmou que o governo promoveu um ajuste equivalente a aproximadamente 2 pontos porcentuais do PIB. A continuidade desse esforço será necessária para fortalecer a confiança na economia e melhorar as condições de financiamento.

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Por que importa para o agro

Juros elevados aumentam o custo de custeio, investimento e comercialização da produção. No campo, a Selic influencia as taxas de linhas de crédito, a emissão de títulos como CPRs e Fiagros e o custo de capital de tradings, cooperativas e agroindústrias.

Uma queda consistente dos juros pode melhorar o acesso a máquinas, armazenagem, irrigação e tecnologias de produção. Também tende a reduzir despesas financeiras de empresas da cadeia, mas o efeito depende da transmissão da política monetária para as taxas efetivamente cobradas pelos bancos.

Para o produtor, a previsibilidade fiscal é tão relevante quanto o nível nominal da Selic. Incertezas sobre a dívida pública podem manter o crédito caro mesmo quando o Banco Central inicia cortes na taxa básica.

Dados e contexto

Em 16 de setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, em corte de 0,25 ponto percentual. Foi a quinta redução consecutiva, segundo dados divulgados pelo Banco Central.

O Copom afirmou que acompanha os efeitos da política fiscal sobre a inflação, os ativos financeiros e a taxa de juros. O comitê também indicou que o enfraquecimento da disciplina fiscal e das reformas estruturais pode elevar a taxa de juros neutra da economia.

IndicadorDado
Selic antes do corte de setembro14% ao ano
Selic após o corte13,75% ao ano
Redução na reunião0,25 ponto percentual
Ajuste mencionado por DuriganAproximadamente 2% do PIB

A taxa neutra é o nível de juros compatível com uma economia sem estímulo ou contenção excessiva. Quando as expectativas fiscais pioram, esse nível pode subir, dificultando cortes mais amplos e duradouros.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a execução do Orçamento, a evolução da dívida pública e a aprovação de medidas estruturais. No agro, produtores e empresas precisam comparar o custo de novas dívidas, revisar o prazo de financiamentos e avaliar oportunidades de investimento apenas com fluxo de caixa compatível com cenários de juros ainda elevados.

Fontes

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