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Durigan põe ajuste fiscal à frente da agenda de desenvolvimento

Ministro da Fazenda defende endurecer o arcabouço e controlar gastos antes de avançar em novas políticas de desenvolvimento, com impacto direto nos juros e no crédito ao agro.

11 de setembro de 2026 5 min de leitura
Durigan põe ajuste fiscal à frente da agenda de desenvolvimento

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem repetido em diversos eventos que estabilidade fiscal é condição para qualquer agenda consistente de desenvolvimento no país. Para ele, só com contas públicas em trajetória de melhora será possível reduzir juros de forma estrutural, ampliar o crédito e criar ambiente seguro para investimento, inclusive no agronegócio.[1][2][3][8][9][11]

O que aconteceu

Em entrevistas recentes e participações em conferências, Durigan defendeu um ajuste gradual nas contas públicas, com foco em corte de gastos obrigatórios, reforço do arcabouço fiscal e revisão de benefícios tributários.[1][4][8][13][15] Ele afirma que o governo já promoveu um ajuste equivalente a cerca de 2 pontos do PIB no resultado primário e quer manter esforço semelhante nos próximos anos.[6]

O ministro argumenta que a regra fiscal atual não deve ser substituída, mas endurecida, inclusive com limite menor para crescimento das despesas, como forma de sinalizar previsibilidade ao mercado e ajudar a política monetária.[1][8][14] A meta é entregar superávits primários recorrentes e crescentes a partir de 2027, abrindo espaço para uma agenda de desenvolvimento mais robusta.[9]

Durigan também relaciona diretamente a trajetória fiscal à discussão sobre juros civilizados e crédito. Ele defende intolerância à irresponsabilidade fiscal e afirma que a consolidação das contas públicas precisa caminhar junto com medidas de competitividade e infraestrutura.[2][3][5][9]

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Por que importa para o agro

Para o produtor rural, o ponto central é que juros menores dependem de confiança na política fiscal. Se o governo entregar ajuste e estabilidade, o Banco Central tende a ter mais espaço para cortar a taxa básica ao longo do tempo, o que reduz custo do crédito rural, do investimento em máquinas e da formação de estoques.[2][3][5][9]

Além disso, um arcabouço fiscal mais rígido e contas organizadas ajudam a diminuir a volatilidade do câmbio e do risco-país, fatores que pesam em insumos dolarizados, financiamento externo e planejamento de exportações. Um ambiente macroeconômico previsível facilita decisões de longo prazo em irrigação, armazenagem, integração lavoura-pecuária e recuperação de pastagens.

Dados e contexto

Durigan vincula a agenda de desenvolvimento a alguns pilares:

Eixo da política econômicaFoco declarado pelo ministro
Resultado primárioAjuste de **2 p.p. do PIB** e superávits crescentes a partir de 2027[6][9]
Regra fiscalManter o arcabouço, mas **apertar limite de gasto** e reforçar credibilidade[1][8][14]
Gastos obrigatóriosControle do crescimento e possível mudança de status de algumas políticas sociais[1][4][8]
Benefícios tributáriosRevisão para ampliar a base e reduzir distorções[1][8][15]
Dívida públicaEstabilizar relação dívida/PIB, hoje em torno de **82%** segundo o Banco Central[13]

Segundo o Ministério da Fazenda e o Banco Central, a combinação de resultado primário melhor, controle de despesas e revisão de subsídios é vista como condição para ancorar expectativas e reduzir o prêmio de risco embutido nos juros de longo prazo.[6][11][13][14] Essa leitura é compartilhada por instituições como o FMI e o Banco Mundial, que destacam responsabilidade fiscal como base para ciclos de crescimento mais duradouros em economias emergentes.

No agro, dados da Conab e do IBGE mostram aumento da necessidade de capital de giro e investimentos em tecnologia em cadeias como grãos, proteína animal e frutas. Em cenário de juros altos, muitos produtores posterga investimentos estratégicos, como armazenagem própria e irrigação, que exigem financiamentos de prazo maior. A agenda de ajuste defendida por Durigan busca justamente abrir espaço para programas de crédito mais baratos e previsíveis.

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar três frentes: a velocidade do ajuste fiscal, o comportamento da taxa de juros e a evolução do crédito rural. Se o governo conseguir entregar superávits, controlar gastos e reforçar o arcabouço sem travar investimentos essenciais, há oportunidade de um ciclo de juros mais baixos e linhas de financiamento mais estáveis. Caso o ajuste emperre no Congresso ou a confiança se deteriore, o agro seguirá convivendo com custo financeiro elevado e maior cautela em projetos de longo prazo.

Fontes

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