Durigan põe ajuste fiscal à frente da agenda de desenvolvimento
Ministro da Fazenda defende endurecer o arcabouço e controlar gastos antes de avançar em novas políticas de desenvolvimento, com impacto direto nos juros e no crédito ao agro.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem repetido em diversos eventos que estabilidade fiscal é condição para qualquer agenda consistente de desenvolvimento no país. Para ele, só com contas públicas em trajetória de melhora será possível reduzir juros de forma estrutural, ampliar o crédito e criar ambiente seguro para investimento, inclusive no agronegócio.[1][2][3][8][9][11]
O que aconteceu
Em entrevistas recentes e participações em conferências, Durigan defendeu um ajuste gradual nas contas públicas, com foco em corte de gastos obrigatórios, reforço do arcabouço fiscal e revisão de benefícios tributários.[1][4][8][13][15] Ele afirma que o governo já promoveu um ajuste equivalente a cerca de 2 pontos do PIB no resultado primário e quer manter esforço semelhante nos próximos anos.[6]
O ministro argumenta que a regra fiscal atual não deve ser substituída, mas endurecida, inclusive com limite menor para crescimento das despesas, como forma de sinalizar previsibilidade ao mercado e ajudar a política monetária.[1][8][14] A meta é entregar superávits primários recorrentes e crescentes a partir de 2027, abrindo espaço para uma agenda de desenvolvimento mais robusta.[9]
Durigan também relaciona diretamente a trajetória fiscal à discussão sobre juros civilizados e crédito. Ele defende intolerância à irresponsabilidade fiscal e afirma que a consolidação das contas públicas precisa caminhar junto com medidas de competitividade e infraestrutura.[2][3][5][9]
Por que importa para o agro
Para o produtor rural, o ponto central é que juros menores dependem de confiança na política fiscal. Se o governo entregar ajuste e estabilidade, o Banco Central tende a ter mais espaço para cortar a taxa básica ao longo do tempo, o que reduz custo do crédito rural, do investimento em máquinas e da formação de estoques.[2][3][5][9]
Além disso, um arcabouço fiscal mais rígido e contas organizadas ajudam a diminuir a volatilidade do câmbio e do risco-país, fatores que pesam em insumos dolarizados, financiamento externo e planejamento de exportações. Um ambiente macroeconômico previsível facilita decisões de longo prazo em irrigação, armazenagem, integração lavoura-pecuária e recuperação de pastagens.
Dados e contexto
Durigan vincula a agenda de desenvolvimento a alguns pilares:
| Eixo da política econômica | Foco declarado pelo ministro |
|---|---|
| Resultado primário | Ajuste de **2 p.p. do PIB** e superávits crescentes a partir de 2027[6][9] |
| Regra fiscal | Manter o arcabouço, mas **apertar limite de gasto** e reforçar credibilidade[1][8][14] |
| Gastos obrigatórios | Controle do crescimento e possível mudança de status de algumas políticas sociais[1][4][8] |
| Benefícios tributários | Revisão para ampliar a base e reduzir distorções[1][8][15] |
| Dívida pública | Estabilizar relação dívida/PIB, hoje em torno de **82%** segundo o Banco Central[13] |
Segundo o Ministério da Fazenda e o Banco Central, a combinação de resultado primário melhor, controle de despesas e revisão de subsídios é vista como condição para ancorar expectativas e reduzir o prêmio de risco embutido nos juros de longo prazo.[6][11][13][14] Essa leitura é compartilhada por instituições como o FMI e o Banco Mundial, que destacam responsabilidade fiscal como base para ciclos de crescimento mais duradouros em economias emergentes.
No agro, dados da Conab e do IBGE mostram aumento da necessidade de capital de giro e investimentos em tecnologia em cadeias como grãos, proteína animal e frutas. Em cenário de juros altos, muitos produtores posterga investimentos estratégicos, como armazenagem própria e irrigação, que exigem financiamentos de prazo maior. A agenda de ajuste defendida por Durigan busca justamente abrir espaço para programas de crédito mais baratos e previsíveis.
O que observar daqui pra frente
O setor deve acompanhar três frentes: a velocidade do ajuste fiscal, o comportamento da taxa de juros e a evolução do crédito rural. Se o governo conseguir entregar superávits, controlar gastos e reforçar o arcabouço sem travar investimentos essenciais, há oportunidade de um ciclo de juros mais baixos e linhas de financiamento mais estáveis. Caso o ajuste emperre no Congresso ou a confiança se deteriore, o agro seguirá convivendo com custo financeiro elevado e maior cautela em projetos de longo prazo.
Fontes
- Canal Rural – Durigan defende corte de gasto obrigatório e arcabouço mais rígido
- Canal Rural – Durigan diz que governo fez ajuste de 2 pontos do PIB no primário
- Canal Rural – Durigan defende intolerância à irresponsabilidade fiscal
- Reuters – Durigan defende regra fiscal reforçada e sinaliza controles de fluxo
- Poder360 – Durigan defende gradualismo no ajuste fiscal
- Ministério da Fazenda – Com responsabilidade fiscal, Brasil avança em novo ciclo de desenvolvimento
- canalrural.com.br
- canalrural.com.br
- canalrural.com.br
- canalrural.com.br
- canalrural.com.br
- opovo.com.br
- g1.globo.com
- cnnbrasil.com.br
- oglobo.globo.com
- terra.com.br
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